Da Redação Olhar Informação
Escárnio: Criminosos simulavam venda de grãos e usavam dados de detentos para sonegação bilionária; 50 ordens judiciais são cumpridas nesta terça-feira.
CUIABÁ E RONDONÓPOLIS – O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira-MT) deflagrou, na manhã desta terça-feira (3), a Operação CNPJ na Cela. A investigação revelou um esquema audacioso de fraude fiscal estruturada na comercialização de grãos, onde os criminosos chegaram ao ponto de registrar o endereço de uma penitenciária como sede de uma empresa de fachada.
Ao todo, estão sendo cumpridas 50 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis. O alvo é um grupo criminoso que utilizava "laranjas" — muitos deles pessoas humildes ou com vínculos no sistema prisional — para simular operações rurais e sonegar impostos.
O "Escárnio" do Crime Organizado
A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz), identificou que a quadrilha tinha o apoio técnico de um contador para conferir um ar de legalidade às empresas inexistentes. O delegado João Paulo Firpo Fontes classificou como um "atestado de escárnio" o fato de uma das empresas ter sede oficial dentro de um presídio em Rondonópolis.
"A investigação descortinou o esquema, demonstrando que tal audácia não será tolerada pelo Estado", afirmou o delegado Firpo.
Tolerância Zero
A ação faz parte do programa Tolerância Zero Contra Facções Criminosas, do Governo de Mato Grosso. Segundo as autoridades, o esquema não apenas lesava os cofres públicos, mas destruía a livre concorrência no setor de grãos, prejudicando o produtor que trabalha dentro da lei.
Além das buscas e apreensões, a Justiça determinou:
- Suspensão imediata de 21 empresas;
- Afastamento de sigilo de dados telemáticos;
- Suspensão do registro profissional (CRC) do contador envolvido;
- Bloqueio de ativos e bens dos investigados.
O Cira-MT, composto pelo Ministério Público, Polícia Civil, Sefaz, PGE e CGE, reforça que o cruzamento de dados agora permite identificar essas simulações com rapidez, garantindo que o setor de grãos — motor da economia mato-grossense — não seja usado para lavagem de dinheiro de facções.
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