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20 de Julho de 2026
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Polícia Segunda-feira, 29 de Junho de 2026, 16:22 - A | A

Segunda-feira, 29 de Junho de 2026, 16h:22 - A | A

O comando garimpando

Megaoperação na TI Sararé Sufoca Financiamento Milionário do Comando Vermelho e Expõe Urgência de Planejamento Mineral

DA REDAÇÃO OLHAR INFORMAÇÃO

Com mais de 90 dias de incursões táticas, forças federais destroem bunkers, túneis de alta engenharia e impõem prejuízo superior a R$ 100 milhões à facção que dominava o garimpo ilegal em Mato Grosso.

​A operação de desintrusão na Terra Indígena Sararé, localizada na região oeste de Mato Grosso, ultrapassou a marca de 90 dias consecutivos. Promovida pelo Governo do Brasil e coordenada pela Casa Civil, a ofensiva mantém o foco em incursões estratégicas de inteligência para impedir de forma definitiva o retorno de garimpeiros e desarticular a exploração ilegal de ouro no território. A ação governamental ganhou novos contornos após investigações revelarem que o crime organizado transmutou a atividade extrativista local em uma robusta engrenagem financeira.

​Conforme reportagem recente do programa Fantástico, da TV Globo, a facção criminosa Comando Vermelho (CV) assumiu o controle direto de frentes de exploração mineral na reserva, transformando o ouro ilegal em uma fonte milionária de financiamento para suas atividades. Inicialmente contratados para realizar a "segurança" armada dos garimpeiros tradicionais, os criminosos rapidamente subjugaram os operadores do esquema, tornando-se sócios majoritários e administradores da extração. As áreas conhecidas como Garimpo do Cururu e Garimpo do ‘4’ figuram entre os principais redutos dominados pela organização.

​Para consolidar o domínio territorial sobre os 67 mil hectares da reserva — que abriga 201 indígenas do povo Nambikwara distribuídos em sete aldeias —, a facção passou a empregar armamento pesado, incluindo fuzis e metralhadoras. O aparato bélico servia tanto para intimidar trabalhadores locais quanto para repelir a aproximação das forças do Estado. Estima-se que cerca de 1.100 frentes de garimpo clandestino operavam na região, movimentando uma força de trabalho de aproximadamente 2 mil pessoas sob as ordens do crime organizado.

​Balanço Tático da Desintrusão (90+ Dias)

  • Prejuízo Financeiro Estimado: Entre R$ 100 milhões e R$ 110 milhões infligidos à organização criminosa.

  • Infraestrutura Destruída: 199 acampamentos clandestinos e 35 bunkers utilizados para esconder armamentos e geradores.

  • Maquinário e Combustível: 34 escavadeiras hidráulicas inutilizadas, mais de 800 motores de garimpo e 42 mil litros de óleo diesel apreendidos.

  • Explosivos e Minério: Entre 3,8 e 4 toneladas de explosivos detonados e 153 quilos de ouro apreendidos.

  • Prisões: 72 pessoas detidas em flagrante ou por mandados judiciais.

​A sofisticação da infraestrutura criminosa surpreendeu as equipes da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), do Ibama, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Funai e da Polícia Federal (PF). Foram identificados e catalogados 33 túneis subterrâneos construídos com mão de obra especializada contratada pela facção. Essas galerias de engenharia civil clandestina eram utilizadas tanto para a extração direta do minério profundo quanto como rotas de fuga e camuflagem de equipamentos pesados contra o monitoramento aéreo.

​“O trabalho de destruição é realizado pelo grupo especializado em bombas e explosivos da Polícia Federal. Inicia-se com a inspeção de segurança dos túneis e a perfuração do solo para a implantação dos explosivos, a fim de provocar o colapso estrutural. É uma fase importante da operação, pois visa impedir mecanicamente o retorno dos garimpeiros ilegais”, detalhou o delegado da PF, Rodrigo Vitorino. Até o momento, 31 dessas estruturas subterrâneas foram completamente implodidas pelas equipes de segurança.

​De acordo com o coordenador-geral da desintrusão, Nilton Tubino, a operação adotou um fluxo de asfixia logística. "Ao mesmo tempo em que novas incursões em áreas de garimpo acontecem, estamos impossibilitando o retorno às áreas já mapeadas, com a completa inutilização da infraestrutura criminosa montada, a exemplo da destruição dos túneis, dos bunkers, das máquinas pesadas e de todo o aparato trazido para o território", afirmou Tubino. A TI Sararé, homologada em 1985 e que se estende pelos municípios de Pontes e Lacerda, Conquista d’Oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade, teve mais de 4.200 hectares severamente degradados pelos impactos da atividade ilegal recente.

Análise Econômica: O Potencial de Mato Grosso e a Urgência de Regulação

​O cenário crítico exposto na Terra Indígena Sararé joga luz sobre um debate estrutural urgente na Federação: a ausência de uma política pública perene, moderna e direcionada para a mineração sustentável e controlada. Enquanto o país não tiver uma política direcionada à mineração, esse formidável potencial econômico continuará à deriva, sendo capturado pela criminalidade violenta que se financia através da clandestinidade.

​Mato Grosso pode ser a chave para mudar essa realidade nacional. Dono de uma riqueza geológica ímpar, o estado tem plenas condições de liderar o setor, mas, para isso, basta começar a se organizar e implantar um planejamento adequado. O setor mineral, por iniciativa própria e isolada, caminha a passos lentos; contudo, munido de um apoio governamental coordenado e de diretrizes claras, dará um salto definitivo para o futuro legalizado, seguro e sustentável.

Olhar Informação: "O ouro que deveria gerar riqueza e desenvolvimento para Mato Grosso não pode continuar servindo de munição para o crime organizado; a riqueza do nosso solo exige a presença firme da legalidade e do planejamento estatal para que o futuro do estado não seja cavado na clandestinidade."

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