Da Redação Olhar Informação
Com crescimento de 66% na população carcerária em uma década, ritmo de prisões no Estado é o dobro da média nacional; déficit de vagas gera crise humanitária e de segurança
CUIABÁ – Um levantamento detalhado do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Penitenciário e Socioeducativo (GMF-MT) acende o alerta máximo sobre a situação das prisões em Mato Grosso. Atualmente, das 41 unidades prisionais do Estado, 18 estão interditadas judicialmente devido à incapacidade de absorver novos detentos.
Os números revelam uma conta que não fecha: Mato Grosso possui hoje cerca de 16 mil pessoas privadas de liberdade, enquanto a capacidade real do sistema é de aproximadamente 12,9 mil vagas. Esse excedente tem pressionado as principais unidades do estado, como a Penitenciária Central do Estado (PCE) em Cuiabá, o Presídio Ferrugem em Sinop e a Mata Grande em Rondonópolis, todas sob ordens de interdição.
Explosão no Encarceramento
A crise é reflexo de um crescimento acelerado na população carcerária nos últimos dez anos. Em 2016, o estado contava com 9,6 mil presos. Em 2026, esse número saltou para 16 mil — um aumento de 66,6%. O fenômeno foi especialmente agressivo entre 2024 e o início de 2026, período em que o ritmo de prisões em regime fechado em solo mato-grossense superou em mais de duas vezes a média nacional.
Se somarmos os detentos em regimes semiaberto, aberto e aqueles que utilizam tornozeleiras eletrônicas, a estimativa é que o sistema monitore entre 20 e 23 mil pessoas.
Evolução Carcerária (MT) População
Ano 2016 9.600 detentos
Ano 2026 16.000 detentos
Déficit Atual ~3.100 vagas
O que diz o Governo
Em resposta aos dados do GMF-MT, a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) informou que tem trabalhado para mitigar o problema. Desde 2019, foram criadas 4.870 novas vagas em todo o estado. A pasta ressaltou que há diversas obras de ampliação e reforma em andamento, visando justamente reverter as interdições e adequar o sistema às normas de segurança e dignidade humana.
Especialistas apontam que, além da construção de novos presídios, o Estado enfrenta o desafio de equilibrar a repressão eficiente ao crime com a capacidade de gestão de um contingente que não para de crescer.
Olhar Informação: A análise profunda dos gargalos de Mato Grosso. Onde a segurança pública encontra os desafios da justiça e da gestão estatal.
