De viagens ao RJ a fotos com fuzis: como uma jovem de 24 anos e seus pais pastores operavam o braço financeiro e a articulação da maior facção de MT.
CUIABÁ – O avanço das investigações da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) revelou detalhes profundos sobre a atuação de Rhavenna Barcelos, de 24 anos, conhecida como a "Missionária do CV". Presa preventivamente na última quinta-feira (16) durante a Operação Fariseus, a jovem é apontada como peça-chave na articulação entre Sandro Silva Rabelo, o "Sandro Louco" — principal liderança do Comando Vermelho em Mato Grosso —, e o alto comando da facção em solo fluminense.
De acordo com os relatórios da Polícia Civil, Rhavenna mantinha uma rotina de viagens frequentes ao Rio de Janeiro. Na capital fluminense, a suspeita transitava com livre acesso por territórios rigidamente controlados pela organização criminosa, áreas que são historicamente classificadas como de altíssimo risco e inacessíveis para pessoas sem forte vínculo com a cúpula do tráfico.
Mesmo de dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE) em Cuiabá, onde Sandro Louco cumpre penas que somadas ultrapassam os 215 anos de reclusão, a comunicação e os interesses do grupo eram mantidos ativos por meio dessa ponte interestadual.
Igreja de fachada e ostentação com armas de guerra
O desdobramento do caso, que já ganha repercussão em âmbito nacional, arrastou também o núcleo familiar de Rhavenna para o centro do inquérito. Os pais da jovem, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Barcelos Almeida, são investigados por integrar o braço financeiro do esquema.
A tese policial aponta que a estrutura religiosa e uma empresa de fachada eram utilizadas para pulverizar o capital oriundo do tráfico de drogas, lavando o dinheiro por meio de depósitos fracionados em contas de terceiros (os chamados "laranjas").
O verniz religioso desmoronou com a apreensão e análise de materiais digitais. Imagens que circulavam em redes sociais e que agora constam formalmente nos autos da Draco mostram a jovem missionária e os pais pastores posando de forma descontraída e ostentando armas de grosso calibre, evidenciando a proximidade e o alinhamento com o arsenal bélico da facção.
Olhar Informação: O caso da 'Missionária do CV' expõe a tática audaciosa do crime organizado em se infiltrar e utilizar pilares sociais e religiosos como escudo para camuflar o tráfico interestadual e a lavagem de dinheiro em Mato Grosso.

