Estrutura de piso cede no terceiro pavimento de esqueleto urbano na Lixeira; vítima atuava como zelador improvisado do local há mais de dois anos.
CUIABÁ – A precariedade e o abandono de imóveis na capital mato-grossense fizeram mais uma vítima fatal na noite deste domingo (19). Um homem identificado como Carlos Roberto da Silva Barbosa morreu após cair do terceiro pavimento de um prédio inacabado e abandonado, localizado às margens da movimentada Avenida Miguel Sutil, na região do bairro Lixeira.
De acordo com as informações apuradas no local, Carlos estava no terceiro piso da edificação quando uma parte da estrutura do piso de concreto não resistiu e rompeu abruptamente. Com o desabamento da laje, a vítima despencou de uma altura estimada em aproximadamente 10 metros, sofrendo múltiplos traumas no impacto.
Socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados rapidamente e, ao chegarem ao endereço, encontraram o homem ainda apresentando sinais vitais. A equipe médica realizou intensos procedimentos de reanimação cardiorrespiratória na tentativa de estabilizá-lo, mas, diante da extrema gravidade dos ferimentos, a morte foi confirmada ainda no local do acidente.
Investigação e o retrato do abandono urbano
Após a constatação do óbito, uma guarnição da Polícia Militar isolou completamente a área para garantir a integridade da cena. Peritos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) estiveram no esqueleto da obra para realizar os exames periciais que vão determinar as falhas estruturais que levaram ao colapso do piso. O caso agora está sob os cuidados da Polícia Civil, que instaurou um procedimento para investigar formalmente as circunstâncias da queda.
Relatos de moradores em situação de rua que utilizam a edificação como abrigo temporário trouxeram contornos ainda mais dramáticos ao episódio. Segundo as testemunhas, Carlos Roberto era uma figura conhecida e respeitada no local, sendo apontado como o responsável por "zelar" informalmente pelo imóvel há pouco mais de dois anos. Os ocupantes pontuaram que a estrutura abandonada serve frequentemente de refúgio para pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social e usuários de substâncias químicas.
Olhar Informação: A morte trágica na Avenida Miguel Sutil expõe as feridas abertas de Cuiabá, onde esqueletos de concreto abandonados deixam de ser apenas poluição visual e passam a ser armadilhas fatais para a população invisível que neles busca abrigo.
*Fonte - Serginho Lapada

