Em 20 de setembro de 2008, um investigador da Polícia Civil de Lucas do Rio Verde (MT) sofreu uma emboscada na BR-163 ao retornar de Matupá, onde cumpriu mandado de prisão por tráfico de drogas. Cinco policiais foram atacados a tiros, e o investigador que dirigia a viatura foi gravemente ferido por um disparo de espingarda calibre 12 no rosto, resultando em perda de massa mandibular e sequelas físicas e psicológicas permanentes.
O ataque teria sido uma retaliação à prisão do irmão de um traficante da região.
Em 7 de novembro de 2025, o juiz Evandro Juarez Rodrigues, da 3ª Vara Cível de Lucas do Rio Verde, determinou que o Estado de Mato Grosso custeie uma cirurgia reparadora facial no valor de R$105 mil para o policial.
A decisão concedeu tutela de urgência para que o procedimento seja realizado no Hospital São Lucas Ribeirania, em Ribeirão Preto (SP), com base em laudos médicos que atestam a necessidade do tratamento para recuperação de funções como fala e deglutição.
O Ministério Público manifestou-se favoravelmente ao pedido, reforçando o dever constitucional do Estado de proteger servidores públicos lesionados no exercício de suas funções.
O juiz destacou que não é coerente o Estado promover discursos de valorização das forças de segurança enquanto nega assistência médica a um servidor que foi ferido combatendo o crime organizado.
A decisão judicial determinou o bloqueio imediato de R$105 mil da conta do Estado de Mato Grosso para garantir o custeio da cirurgia.
Foi estabelecido prazo de 24 horas para eventual impugnação da medida, e o requerente deverá apresentar prestação de contas com nota fiscal e relatórios médicos após a realização do procedimento.
O magistrado afirmou que o servidor ferido encontra no Poder Judiciário sua única saída para obter o tratamento necessário, após anos de sequelas decorrentes do ataque sofrido em cumprimento do dever.
A decisão reflete o reconhecimento da responsabilidade estatal pela integridade física de agentes de segurança expostos a riscos extremos no combate ao crime.
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