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07 de Dezembro de 2025
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MUNDO Quarta-feira, 29 de Outubro de 2025, 16:13 - A | A

Quarta-feira, 29 de Outubro de 2025, 16h:13 - A | A

Relação Brasil X EUA

Senado dos EUA Desafia Tarifa de 40% ao Brasil, Mas Futuro é Incerto

Da Redação

Em 28 de outubro de 2025, o Senado dos Estados Unidos aprovou por 52 votos a 48 uma resolução que declara ilegal a emergência econômica nacional invocada pelo presidente Donald Trump para impor uma tarifa de 40% sobre produtos brasileiros importados, vigente desde 6 de agosto de 2025. Combinada com os 10% das tarifas recíprocas, a medida eleva o total para 50% sobre as exportações brasileiras. A votação ocorreu no início da noite e representa uma rara derrota para Trump, apesar de sua maioria republicana no Senado, com cinco senadores do partido votando contra a política presidencial.

A justificativa de Trump para a tarifa baseava-se na alegação de que o Brasil promovia uma caça às bruxas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e violava a liberdade de expressão e interesses de grandes empresas de tecnologia americanas por meio de decisões do Supremo Tribunal Federal brasileiro. Senadores como Tim Kaine, democrata da Virgínia e coautor da resolução, argumentaram que a medida extrapolava os poderes constitucionais do presidente e causava sofrimento aos consumidores americanos, citando o aumento nos preços de itens cotidianos como café matinal e hambúrgueres, já que boa parte dos grãos de café e da carne bovina consumidos nos EUA provém do Brasil.

O apoio à resolução foi bipartidário, com senadores democratas como Chuck Schumer de Nova York, Peter Welch de Vermont e Ron Wyden de Oregon, além de independentes como Angus King do Maine e Bernie Sanders de Vermont, e republicanos como Rand Paul do Kentucky. Apesar dos esforços do vice-presidente JD Vance para convencer republicanos a manterem as tarifas como ferramenta de barganha em negociações comerciais, senadores como Thom Tillis da Carolina do Norte, Lisa Murkowski do Alasca e Mitch McConnell do Kentucky se juntaram aos democratas, destacando impactos negativos em pelo menos 10 estados agrícolas afetados pela política tarifária.

Rand Paul criticou abertamente as tarifas, afirmando que elas prejudicam fazendeiros americanos e que a guerra comercial com a China já desviou compras de soja para Brasil e Argentina, pressionando ainda mais o mercado. Thom Tillis expressou preocupação específica com o superávit comercial dos EUA com o Brasil e recebeu uma comitiva de senadores brasileiros em julho de 2025 para discutir os riscos antes da implementação da tarifa, que afeta cerca de 60% das exportações brasileiras para os EUA, incluindo café e carne, contribuindo para a inflação no país norte-americano.

Embora a aprovação no Senado tenha peso político significativo, a resolução carece de efeito imediato, pois precisa de aprovação na Câmara dos Representantes, onde a liderança republicana alterou o regimento interno para bloquear tais votações. Um projeto similar sobre tarifas ao Canadá foi aprovado no Senado em abril de 2025 por 51 a 48, mas não avançou na Câmara. O episódio ocorre enquanto Brasil e EUA iniciam negociações tarifárias práticas para normalizar relações comerciais após quase três meses de crise bilateral, a mais profunda em 200 anos de história entre os dois países.

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