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MUNDO Segunda-feira, 13 de Julho de 2026, 07:13 - A | A

Segunda-feira, 13 de Julho de 2026, 07h:13 - A | A

O fornecedor de combustível do Brasil mudou de nacionalidade

Saiba o que está por trás da dança das cadeiras do diesel global

DA REDAÇÃO OLHAR INFORMAÇÃO

OAXIS/Ilustração Olhar Informação

Diesel

Guerra, refinarias atingidas e boom na produção americana mudam o mapa da importação; saiba como essa virada geopolítica impacta diretamente o bolso e a produção do agronegócio em Mato Grosso.

BRASIL – O mercado global de combustíveis vive uma verdadeira "dança das cadeiras" geopolítica. O Brasil, que desde 2023 se consolidou como o segundo maior comprador do petróleo e derivados da Rússia, está promovendo uma migração expressiva e acelerada de suas importações para os Estados Unidos.

A reviravolta se consolidou após a Rússia anunciar uma forte suspensão em suas exportações de diesel, uma consequência direta do encolhimento de sua produção — que caiu 25% nas últimas semanas — em virtude dos frequentes ataques ucranianos às suas principais refinarias. Com os portos russos enviando 15% menos petróleo e derivados ao exterior, o Brasil foi obrigado a recalcular a rota do seu abastecimento.

Para se ter ideia da velocidade da mudança, a participação da Rússia nas importações brasileiras de diesel desabou de 64% em junho para apenas 17% em julho. No mesmo período, a fatia correspondente aos EUA saltou de 36% para dominantes 78%. O movimento, contudo, já vinha sendo articulado pelos players de mercado devido à guerra no Oriente Médio, que elevou a demanda global, e à produção recorde norte-americana, que tornou o diesel dos EUA altamente competitivo.

O impacto direto no bolso de Mato Grosso

Atualmente, o Brasil precisa importar cerca de 30% de todo o diesel que consome. O grande problema é que essa transição abrupta não foi suave para as finanças globais: a redução da oferta russa disparou os preços internacionais do diesel para os maiores patamares dos últimos anos.

O reflexo em Mato Grosso: Esta disparada de preço e a instabilidade no fornecimento atingem em cheio o coração econômico de Mato Grosso. O estado, que lidera a produção nacional de grãos e pluma, encontra-se justamente no pico de suas atividades de colheita e transporte das safras de milho e algodão. Com frotas de tratores, colheitadeiras e milhares de caminhões cruzando as rodovias estaduais operando com alta demanda, qualquer oscilação ou encarecimento no preço do diesel afeta diretamente os custos operacionais do agronegócio mato-grossense, pressionando as margens do produtor e encarecendo o frete regional.

Governo estuda contra-ataque com etanol

Diante desse cenário de forte instabilidade e alta dependência externa, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) está mobilizado para desenhar estratégias que blindem o mercado interno.

Entre as principais propostas em pauta está o aumento do percentual obrigatório de mistura de etanol anidro na gasolina, saltando dos atuais 30% para 32% (o chamado E32). A medida visa reduzir o volume de combustível fóssil importado, aliviando a balança comercial e a exposição do país às crises internacionais.

O site Olhar Informação destaca que a vulnerabilidade do Brasil diante das crises internacionais de energia reforça a urgência de o país expandir sua capacidade interna de refino e, acima de tudo, valorizar a força dos biocombustíveis — uma área onde Mato Grosso, com sua produção recorde de etanol de milho, tem plenas condições de liderar a soberania energética nacional.

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