Da Redação Olhar Informação
Em ligação de uma hora, líderes discutiram crise na Venezuela, criação de 'Conselho da Paz' e resistência do setor agrícola francês
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da França, Emmanuel Macron, mantiveram uma extensa conversa telefônica na manhã desta terça-feira (27) para alinhar pontos cruciais da agenda global e bilateral. O diálogo, que durou cerca de uma hora, foi marcado pela tentativa de dar um fôlego final às negociações entre o Mercosul e a União Europeia, com a meta ambiciosa de concluir o tratado ainda no primeiro semestre deste ano.
Lula reforçou sua visão otimista sobre o acordo, classificando-o como uma ferramenta essencial para o fortalecimento do multilateralismo e um benefício mútuo para ambos os blocos. Ficou estabelecido o compromisso de orientar as equipes técnicas para que os últimos impasses sejam superados nos próximos meses.
O Entrave Francês e a Pressão do Campo
Apesar do tom positivo de Lula, Macron enfrenta uma pesada pressão doméstica. A França tem sido o principal obstáculo europeu ao acordo, sob a justificativa de que o setor agrícola do continente carece de proteção contra a entrada de produtos brasileiros. Produtores franceses temem a competitividade do agro brasileiro e pressionam o governo Macron para manter barreiras protecionistas, o que deve exigir um esforço diplomático adicional nas negociações de 2026.
Crise na Venezuela e Governança Global
Além das questões comerciais, a pauta diplomática incluiu temas sensíveis de segurança internacional:
- Venezuela: Os dois líderes emitiram uma condenação conjunta ao uso da força no país vizinho ao Brasil, reafirmando que qualquer solução deve respeitar o direito internacional.
- Conselho da Paz: Discutiram a proposta dos Estados Unidos para a criação de um "Conselho da Paz", visando novos mecanismos de mediação de conflitos.
- Reforma da ONU: Houve consenso sobre a necessidade de fortalecer as Nações Unidas, alinhando as iniciativas de paz e segurança às diretrizes do Conselho de Segurança da organização.
O alinhamento entre Brasil e França é visto como estratégico para a estabilidade política na América Latina e para a inserção definitiva do Mercosul no mercado europeu.
