Especialista alerta que, enquanto homens grisalhos são vistos como "experientes", mulheres enfrentam estigma de "desleixo" e exclusão precoce.
O mercado de trabalho brasileiro ainda reflete abismos de gênero quando o assunto é o envelhecimento. Em entrevista recente ao programa HNT Entrevista, a advogada trabalhista e previdenciária, Andrea Zattar, trouxe à tona uma realidade desconfortável: o etarismo atinge as mulheres muito antes dos homens, criando barreiras profissionais já a partir dos 45 anos.
De acordo com a especialista, existe uma disparidade cultural na percepção da maturidade. Enquanto o homem que exibe cabelos grisalhos é frequentemente associado ao charme, à sensatez e à autoridade, a mulher que decide não esconder as marcas do tempo é, muitas vezes, julgada de forma pejorativa.
"Se ela assume o cabelo branco, é vista como desleixada ou 'velha'. Há uma exigência excessiva sobre o aspecto formal feminino, a aparência e a vestimenta", pontuou Zattar.
Dois Pesos e Duas Medidas
A advogada destaca que essa diferença de tratamento é um reflexo do cotidiano e até do entretenimento. Ela cita como exemplo a dinâmica das artes cênicas, onde atores mais velhos continuam ocupando papéis de galãs, enquanto atrizes da mesma faixa etária são rapidamente direcionadas a papéis de avós ou personagens secundários.
Para os homens, o "peso" da idade e a cobrança sobre a estética costumam aparecer apenas próximo aos 60 anos. Para as mulheres, no entanto, a luta contra a invisibilidade profissional e o preconceito estético começa quase duas décadas antes, evidenciando que o envelhecimento, no ambiente corporativo, ainda é uma questão de gênero.
“O olhar atento sobre o etarismo é o primeiro passo para desconstruir preconceitos que silenciam talentos femininos no auge de sua produtividade.” — Olhar Informação.
