Da Redação Olhar Informação
Pesquisa identifica que temperaturas acima de 180°C favorecem a formação de substâncias cancerígenas; recomendação é moderação no preparo, sem excluir o alimento da dieta
O tradicional pãozinho francês, companheiro inseparável do café da manhã dos brasileiros, entrou no centro de um importante alerta científico. Um estudo recente da Universidade de São Paulo (USP) reacendeu o debate sobre os riscos do consumo de alimentos submetidos a altas temperaturas, especificamente o pão muito tostado ou "queimadinho".
A investigação identificou a presença de HPAs (Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos) e outras substâncias potencialmente cancerígenas que se formam quando produtos à base de trigo, como pães e biscoitos, são expostos ao calor excessivo.
O perigo mora no excesso de calor
De acordo com os pesquisadores, o ponto crítico ocorre quando o alimento ultrapassa a temperatura de 180°C. Nesse estágio, a reação química que escurece a superfície do pão — muitas vezes buscada pelo sabor e pela crocância — também gera moléculas prejudiciais à saúde a longo prazo.
O alerta é reforçado pelo impacto cultural do alimento no Brasil:
- Consumo médio: Cada brasileiro consome cerca de 30 kg de pão artesanal por ano.
- Volume diário: Isso equivale a aproximadamente dois pães por pessoa, todos os dias.
Por ser um item onipresente na mesa farta e no convívio familiar, o preparo inadequado deixa de ser apenas uma questão de paladar e passa a ser um cuidado preventivo de saúde pública.
Não é proibição, é equilíbrio
Apesar do tom de alerta, os especialistas da USP são enfáticos: o pão não é o vilão e não deve ser retirado da dieta. O estudo destaca que o alimento continua sendo uma fonte essencial de carboidratos, energia e fibras.
A orientação prática para quem consome pão diariamente é simples e direta:
- Evite o escurecimento excessivo: Não deixe a superfície do pão ficar muito escura ou com partes carbonizadas.
- Controle o tempo de chapa ou forno: Busque um dourado leve em vez do tostado profundo.
- Consumo consciente: A mudança sugerida é de hábito no preparo, e não de exclusão do alimento.
O tema ganha força justamente por propor uma alteração fácil de aplicar no dia a dia. Ao ajustar o ponto do pão na chapa ou no forno, o consumidor reduz drasticamente a exposição a agentes químicos nocivos sem abrir mão de um dos pilares da alimentação nacional.
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