Especialistas apontaram a energia solar como um pilar estratégico para a eletrificação no Brasil durante a Energy Week, evento realizado na Unicamp.
No entanto, para que o setor continue crescendo, é crucial resolver a falta de profissionais qualificados, problema que se tornou evidente durante o painel “Potencial da Energia Solar no Brasil”.
Bruno Kikumoto, CEO do Canal Solar, enfatizou que a rápida expansão da energia solar criou um desafio significativo: a falta de profissionais capazes de instalar, operar e manter sistemas complexos.
Ele lembrou que, há dez anos, a energia solar tinha uma presença quase insignificante, mas hoje é a segunda maior fonte da matriz energética brasileira.
Esse crescimento sem precedentes exerceu uma pressão considerável sobre toda a cadeia produtiva.
Ricardo Viana, da TotalEnergies, apresentou projetos de P&D que visam aumentar o desempenho e a confiabilidade das usinas solares no Brasil.
Esses projetos incluem sistemas de monitoramento inteligente para prever falhas e otimizar a operação, estudos de eventos de irradiância para melhorar o dimensionamento das plantas e um projeto de agrivoltaicos desenvolvido em colaboração com a USP, que combina produção agrícola e geração de energia no mesmo terreno.
Rodrigo Garcia, gerente de P&D da BYD, destacou o avanço da eletrificação veicular como um fator importante.
A rápida adoção de carros elétricos, impulsionada pela nova fábrica em Camaçari e pela expansão de modelos no país, está transferindo o consumo energético dos combustíveis para a rede elétrica, aumentando a importância da energia solar como fonte complementar.
A BYD já está trabalhando com carregamento ultrarrápido, capaz de abastecer um veículo em cinco minutos, o que exige uma infraestrutura mais robusta e abre espaço para microgrids e sistemas combinando solar, baterias e recarga distribuída.
Os participantes do debate também discutiram como o sistema elétrico brasileiro irá acomodar a rápida expansão da energia solar.
Além de gerar mais energia, será necessário lidar com desafios práticos, como o risco crescente de cortes de geração, o avanço necessário de sistemas de armazenamento e a gestão inteligente do consumo, especialmente na recarga de veículos elétricos. Houve consenso sobre o papel da regulação e da confiança social nessa transição.
últimas

