Da Redação Olhar Informação
Crime premeditado: diálogos em aplicativos revelam planejamento de violência sexual e organização de lista contra calouras
Uma denúncia gravíssima sacudiu os corredores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O Centro Acadêmico de Direito VIII de Abril (CADI), em conjunto com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), emitiu uma nota de repúdio nesta terça-feira (5) contra a criação e o compartilhamento de listas classificando estudantes ingressantes como "estupráveis". Segundo informações da Gazeta Digital, o caso revela um cenário de violência psicológica e física articulada dentro de grupos de mensagens por alunos da própria instituição.
O Planejamento da Violência
Os registros flagrados em aplicativos de mensagens mostram que as declarações não eram isoladas. Havia a intenção explícita de molestar colegas de sala, configurando uma conduta que vai além do desrespeito: aponta para a premeditação de crimes sexuais. A nota das entidades estudantis enfatiza que tais atos não podem ser tratados como "brincadeiras", pois representam a banalização da violência sexual e a objetificação sistemática das mulheres no ambiente acadêmico.
O episódio evoca memórias traumáticas para a comunidade da UFMT. O documento cita o caso de Solange Aparecida Sobrinho, morta e estuprada dentro do campus no ano passado, reforçando a urgência de que as autoridades policiais e a reitoria da universidade tratem o fato com o rigor da lei penal.
Conexão com Movimentos de Ódio
A situação na UFMT reflete um fenômeno global de radicalização. O discurso de ódio contra as mulheres tem sido impulsionado pela chamada "machosfera" ou movimento Red Pill. Recentemente, em março de 2026, o influenciador norte-americano Branden Eric Peters, o “Clavicular”, foi preso na Flórida por agressão e incitação à violência, servindo como exemplo da face criminal desses grupos.
No Brasil, a resposta legislativa tornou-se mais rígida. Com a aprovação da Lei 896/2023 em março de 2026 pelo Senado, a misoginia passou a ser classificada como crime inafiançável. A sociedade e o corpo estudantil agora cobram uma investigação profunda da Polícia Civil para identificar os autores das mensagens e garantir que o curso de Direito — pautado pela defesa da dignidade humana — não abrigue quem planeja ferir o Estado de Direito e a integridade alheia.
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