André Mascote Lima torna-se o primeiro lutador da organização a ter ganhos futuros tokenizados no Brasil, permitindo que fãs virem "sócios" de suas vitórias no octógono
SÃO PAULO — O esporte e o mercado de capitais acabam de se fundir em um modelo de negócios inédito no país. O lutador brasileiro André Mascote Lima, destaque do peso-mosca e dono de um cartel invicto de 11 vitórias em 12 lutas no UFC, transformou sua carreira em um produto financeiro. Através de uma parceria com a empresa Vib3, o atleta teve parte de seus rendimentos futuros tokenizados e disponibilizados para o público por meio de uma oferta pública no mercado brasileiro.
A iniciativa pioneira funciona de maneira semelhante aos fundos que adiantam recebíveis ou compram direitos autorais no universo musical. Na prática, Mascote está antecipando receita no curto prazo para investir em sua estrutura profissional, oferecendo em troca uma fatia de seu sucesso financeiro de longo prazo aos investidores.
Como Funciona a "Sociedade" no Octógono?
Quem adquire os tokens emitidos pela plataforma passa a operar como uma espécie de sócio minoritário da carreira de Mascote. O contrato estipula que 20% de todos os valores arrecadados pelo lutador nos próximos oito anos — incluindo bolsas de apostas, premiações por desempenho, patrocínios oficiais e cachês de lutas — serão obrigatoriamente rateados e depositados de forma proporcional na conta dos investidores.
Dessa forma, o rendimento do ativo financeiro está diretamente atrelado à performance esportiva: quanto mais vitórias ele conquistar e quanto mais alto subir no ranking do UFC, maior será o retorno financeiro distribuído à sua base de apoiadores.
A meta inicial da Vib3 é captar pouco mais de R$ 500 mil com a venda dessas cotas. As projeções financeiras da empresa indicam um cenário otimista, estimando que o grupo de investidores poderá receber um retorno global de até R$ 1,5 milhão ao longo da vigência do contrato.
Foco Total no Cinturão
O montante arrecadado de forma imediata na captação terá um destino exclusivamente profissional. O dinheiro será utilizado para subsidiar os altos custos operacionais que envolvem o esporte de alto rendimento, como o pagamento de equipes de treinamento (camps), suporte médico especializado, nutricionistas e preparação física de ponta.
Livre da pressão financeira imediata para pagar seus custos de preparação, André Mascote poderá focar inteiramente em sua evolução técnica dentro do octógono.
A estratégia inovadora adotada pelo peso-mosca não deve parar por aí. A Vib3 já sinalizou que planeja expandir o modelo de tokenização de atletas para outras modalidades e projetos esportivos ainda este ano. Se a resposta do mercado for positiva, o formato tem potencial para consolidar uma nova tendência de financiamento privado no esporte nacional, descentralizando os tradicionais contratos de patrocínio corporativo.
Na era da Web3 e da economia digital, o talento esportivo deixa de depender apenas de patrocinadores tradicionais para virar um ativo compartilhado, onde o soco que define a vitória no octógono é o mesmo que dita o lucro na carteira do investidor — e o Olhar Informação segue atento às inovações que transformam a paixão pelo esporte em novas fronteiras de negócios.
