Negativa de R$ 190 milhões pelo atacante é o capítulo mais recente de uma relação marcada por ofertas recusadas, rusgas e conflitos entre os presidentes Bap e Pedrinho.
OLHAR - DA REDAÇÃO
O mercado da bola entre Rio de Janeiro e Belo Horizonte ferve, mas não pelo fechamento de negócios. Flamengo e Cruzeiro vivem um momento de "gelo no sangue" institucional. A recente frustração na tentativa do Rubro-Negro de contratar o atacante Kaio Jorge expôs feridas abertas entre os presidentes Luiz Eduardo Baptista (Bap) e Pedro Lourenço (Pedrinho), que agora trocam farpas nos bastidores e ameaças jurídicas.
O Flamengo chegou a sinalizar uma proposta superior a 30 milhões de euros (cerca de R$ 189,9 milhões) pelo artilheiro celeste. No entanto, o Cruzeiro não apenas encerrou as conversas, como manifestou profunda irritação com a postura carioca.
A "Cartada" de Filipe Luís e o Risco de FIFA
O ponto de maior atrito foi a tentativa de convencimento direto ao atleta. O técnico do Flamengo, Filipe Luís, entrou no circuito para conversar com Kaio Jorge, tentando seduzi-lo com o projeto rubro-negro. A diretoria da Raposa, ao saber da movimentação, passou a avaliar uma denúncia formal à FIFA por assédio, alegando que o clube carioca teria contatado o jogador sem autorização prévia, ferindo as normas de transferência.
Histórico de Rusgas: De Fabrício Bruno a Matheus Gonçalves
O desgaste não é de hoje. A relação entre Bap e Pedrinho começou a balançar logo no início de 2025:
- Fabrício Bruno: O Cruzeiro tentou a contratação do zagueiro, mas o Flamengo exigiu pagamento à vista ou garantias bancárias pesadas, o que foi visto como uma falta de confiança na saúde financeira da SAF mineira.
- Luiz Araújo e Matheus Pereira: Houve um "choque de versões". O Flamengo afirmou ter recebido proposta oficial; o Cruzeiro rebateu dizendo que tudo não passou de sondagem por intermediários.
- Matheus Gonçalves: Em julho passado, o negócio estava praticamente fechado por 3,5 milhões de euros. Pedrinho e Bap tinham um acordo verbal, mas o Flamengo recuou na última hora, deixando o jogador e a diretoria mineira "no vácuo". O jovem acabou indo para o futebol árabe (Al-Ahli).
O Que Dizem as Partes
O Flamengo defende que só avançou nas conversas por Kaio Jorge após receber sinalizações positivas do estafe do atleta. Já o Cruzeiro reafirma que o jogador é inegociável para o mercado interno e que a postura rubro-negra foi desrespeitosa.
Com as relações cortadas, qualquer futura transação entre os dois gigantes exigirá muito mais do que dinheiro na mesa; exigirá a reconstrução de uma ponte diplomática que, hoje, parece implodida.
