Medida mira gigantes como Shein, Temu e AliExpress e promete encarecer o carrinho do consumidor com cobrança por tipo de produto, não por pacote.
Bruxelas – O cenário das compras internacionais de baixo custo acaba de sofrer uma reviravolta histórica. A partir deste mês, a União Europeia (UE) deu início à cobrança de uma taxa fixa de € 3 por categoria de produto em encomendas vindas de fora do bloco econômico. A decisão atinge em cheio o modelo de negócios de gigantes do e-commerce asiático, como Shein, Temu e AliExpress.
A grande mudança regulatória está na forma como o imposto será calculado. Diferente do que muitos consumidores esperavam, a taxa não será cobrada por pacote enviado, mas sim por código aduaneiro.
Exemplo prático: Se um consumidor fechar um carrinho de compras contendo duas camisetas do mesmo modelo e um fone de ouvido, ele não pagará € 3 pelo pacote completo, mas sim € 6 de imposto (referente às duas categorias distintas de produtos: vestuário e eletrônicos).
O fim de uma era de isenção
Até a promulgação da nova regra, artigos com valor igual ou inferior a € 150 entravam no território europeu totalmente isentos de taxas alfandegárias. Essa política, criada há décadas com o intuito de simplificar o comércio internacional, acabou se tornando uma brecha logística para a entrada de bilhões de pacotes sem a devida fiscalização — o que vinha sufocando a competitividade da indústria e do varejo local europeu.
Os números impressionam e ajudam a entender o rigor da nova medida:
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4,6 bilhões de encomendas de baixo valor entraram na UE no último ano.
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Isso representa uma média de 12 milhões de pacotes por dia cruzando as fronteiras do bloco.
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91% desse volume massivo tem origem na China.
Impacto direto no bolso
Para evitar o colapso logístico e impedir que milhões de pacotes fiquem retidos nas alfândegas, a expectativa é que o imposto seja calculado e cobrado direto no carrinho de compras, no momento do checkout. Na prática, as plataformas repassarão o custo de forma automática, resultando em um aumento imediato do preço final para o consumidor europeu.
Além de tentar equilibrar o jogo e fortalecer o comércio e a produção local, a medida possui um forte apelo fiscal. Cerca de 75% de toda a arrecadação gerada pela nova taxa será direcionada diretamente para o orçamento comunitário da UE, consolidando-se como um "recurso próprio" para o financiamento do bloco.
"No Olhar Informação, entendemos que a taxação global do e-commerce asiático deixa de ser uma tendência para se tornar uma realidade geopolítica: o protecionismo econômico agora bate à porta digital do consumidor."
