Da Redação Olhar Informação
Estado perde R$ 8 bilhões anuais em fretes enquanto projeto estratégico enfrenta impasses; integração entre agro, turismo e sustentabilidade é a chave para destravar o futuro mato-grossense.
CUIABÁ – O potencial de Mato Grosso é gigante, mas sua infraestrutura ainda caminha a passos lentos, aquém do que a modernidade e a competitividade global exigem. A implementação da Ferrogrão, ferrovia projetada para ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA), tornou-se o símbolo de uma oportunidade represada. Segundo Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja-MT, a ausência dessa via custa ao estado mais de R$ 8 bilhões por ano apenas em gastos excedentes de frete.
Durante o evento "Imea em Campo" nesta segunda-feira (06.04), Beber foi enfático ao pontuar que esse montante, hoje perdido na queima de combustível e no desgaste logístico, poderia estar circulando internamente, gerando empregos, novos investimentos e riqueza real para o cidadão mato-grossense.
O Gargalo Logístico e a Geopolítica
A dependência quase exclusiva das rodovias deixa o estado vulnerável a crises externas. A recente tensão no Estreito de Ormuz e a instabilidade geopolítica internacional elevaram os preços dos combustíveis, encarecendo o transporte na reta final da colheita.
Somado a isso, o Porto de Miritituba tem registrado filas de caminhoneiros que superam seis dias de espera. A Ferrogrão, com seus 933 km de extensão, surgiria como a solução definitiva para esse escoamento, reduzindo custos e, crucialmente, diminuindo em 3,4 mil toneladas a emissão de carbono por ano.
Além do Agro: Turismo e Meio Ambiente
Embora o agronegócio seja o motor imediato para a viabilidade da ferrovia, o projeto carrega um potencial que transcende as tradings de grãos. O "trem" é um vetor de desenvolvimento para o turismo, setor onde Mato Grosso possui um potencial vasto e ainda subexplorado em toda sua extensão.
Integrar logística, economia, turismo e preservação ambiental é o caminho para tornar o estado um competidor imbatível. No entanto, correntes contrárias e impasses jurídicos — como a discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o traçado que atravessa o Parque Nacional do Jamanxim — mantêm a obra em compasso de espera.
A Necessidade de um Movimento Conjunto
Para que a Ferrogrão saia do papel, Mato Grosso precisa de uma mobilização sem precedentes. Não basta o esforço isolado de um setor; é necessário que o Governo Federal, o Governo do Estado e a sociedade civil "puxem para o mesmo lado". A competitividade brasileira está em jogo, e Mato Grosso, apesar de sua força produtiva, sofre com uma infraestrutura datada.
O momento exige que o governo atual lidere esse movimento de união para garantir a segurança jurídica e a execução de projetos que, no fim das contas, beneficiam desde o pequeno comerciante até o grande exportador.
Olhar Informação: A Ferrogrão não é apenas um projeto de trilhos; é a espinha dorsal de um Mato Grosso que precisa decidir se quer continuar pagando o preço do atraso ou se vai, finalmente, trilhar o caminho da eficiência.
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