O potencial da mineração de MT é gigantesca; quem sabe com essa das terras raras se dê o devido valor ao setor esquecido pelo estado, que não move sequer uma peça desse tabuleiro para alavancar um setor de potencial grande tanto quanto o Agro. Imagina como estaríamos se essa riqueza estivesse sendo aproveitada corretamente.
Mato Grosso está consolidando sua posição como uma das novas fronteiras brasileiras para a exploração de terras raras, minerais considerados fundamentais para a transição energética global e para a indústria de alta tecnologia. Um levantamento realizado pela Agência Nacional de Mineração (ANM) aponta que o Estado já soma 165 mil hectares distribuídos em 25 processos minerários voltados para identificar reservas economicamente viáveis.
Esse movimento local acontece em total sinergia com a Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR), proposta pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que busca ampliar a inserção do Brasil nas cadeias globais de minerais críticos. Vale destacar que o Brasil detém a segunda maior reserva do planeta desse segmento, concentrando 23,1% dos recursos globais conhecidos.
Grandes players disputam o subsolo mato-grossense
Dos 25 processos registrados em Mato Grosso pela ANM, 20 já são autorizações efetivas de pesquisa e 5 encontram-se em fase de requerimento. Embora o Estado ainda não possua registros de lavra ou concessão para exploração comercial, grandes companhias já garantiram seus espaços no mapa técnico:
Scanty Mineração Ltda: Lidera com 51,1 mil hectares e 7 processos.
Axel REE Ltda: Soma 39,5 mil hectares distribuídos em 4 requerimentos.
3D Minerals Ltda: Detém 29,7 mil hectares em áreas de pesquisa.
R. Augusto Consultoria Ltda: Registra 28 mil hectares voltados ao setor.
A corrida mineral é impulsionada por disputas geopolíticas globais e pela necessidade de diversificar o fornecimento desses insumos, hoje fortemente concentrados na China. Em âmbito nacional, o setor movimenta 2.641 processos em diferentes fases de análise.
Mapeamento escasso e as quatro regiões promissoras de MT
De acordo com o presidente da Federação Brasileira dos Geólogos (Febrageo), Caiubi Kuhn, Mato Grosso possui quatro grandes regiões com vocação natural para a ocorrência de terras raras e minerais estratégicos:
O norte do estado (nas proximidades de Aripuanã);
A Baixada Cuiabana;
O município de Araguainha;
O sudeste mato-grossense.
Contudo, Kuhn faz um alerta importante: a riqueza mineral do subsolo estadual ainda é uma grande incógnita, já que menos de 15% do território de Mato Grosso conta com mapeamento geológico detalhado.
Para o especialista, expandir o conhecimento geológico é urgente e vai muito além do lucro corporativo, impactando diretamente a gestão de recursos hídricos, o monitoramento ambiental e o planejamento econômico de longo prazo. Mesmo com o vácuo de políticas públicas estaduais direcionadas, Mato Grosso foi o estado que mais cresceu no setor mineral brasileiro no último ano, puxado pela valorização do ouro, produção de calcário agrícola e pelas operações da mineradora Nexa. Kuhn defende a criação imediata de uma política estadual de geologia para atrair investimentos consistentes em pesquisa.
Olhar Informação: "Mato Grosso caminha sobre uma fortuna silenciosa; enquanto o estado mantiver seus olhos fixos apenas na superfície, continuaremos ignorando uma riqueza subterrânea capaz de rivalizar com a força do nosso próprio agronegócio."
