Da Redação Olhar Informação
A combinação entre as advertências de Donald Trump ao Irã e o otimismo por novos diálogos entre Rússia e Ucrânia enfraqueceu a busca por ativos de segurança, provocando uma queda acentuada nos preços e forçando investidores a recalibrarem suas estratégias diante de um cenário de feriados globais e ajustes técnicos em Genebra.
MERCADO FINANCEIRO — O mercado de metais preciosos registrou um início de semana de forte retração. Os contratos futuros do ouro em Nova York fecharam em queda de 2,2%, cotados a US$ 4.937,40 por onça troy, enquanto o ouro spot (à vista) acompanhou o movimento negativo com uma baixa de 0,7%, sendo negociado em torno de US$ 4.957,83.
A movimentação ocorre em um cenário de liquidez reduzida, com os mercados asiáticos fechados devido às festividades do Ano Novo Lunar e as bolsas dos Estados Unidos operando sob o efeito de feriado, o que, segundo analistas da Sucden Financial, limita especulações mais agressivas.
Tensões em Genebra e o Fator Trump
A queda acentuada durante a sessão asiática foi impulsionada por ajustes de posição antes das negociações cruciais entre Estados Unidos e Irã, programadas para ocorrer em Genebra. A retórica do presidente norte-americano, Donald Trump, que emitiu duras advertências ao governo iraniano, acabou por fortalecer o dólar globalmente, exercendo pressão direta sobre o metal dourado e empurrando os preços para baixo da marca de US$ 4.950.
Somado a isso, o mercado observa com cautela a possibilidade de avanços nos diálogos entre Rússia e Ucrânia. De acordo com Bas Kooijman, da DHF Capital, qualquer sinal de arrefecimento nos conflitos reduz a demanda pelo ouro como "porto seguro", favorecendo ativos de maior risco.
Expectativas sobre Juros e Dados Econômicos
Apesar do recuo histórico em um único dia, traders continuam acumulando call spreads na COMEX, sinalizando que a aposta de longo prazo ainda não foi totalmente descartada. O foco agora se volta para a agenda econômica da semana, que inclui:
- EUA: Dados de emprego (ADP) e indicadores de inflação;
- Reino Unido e Japão: Divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI).
Atualmente, com o CPI dos EUA vindo abaixo do esperado em leituras anteriores, o mercado precifica em 52% a chance de um corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) já no mês de junho, o que pode trazer novo fôlego ao metal no médio prazo.
Análise Olhar Informação
"Em um tabuleiro onde a diplomacia de Genebra e as redes sociais de Washington ditam o ritmo, o ouro prova que nem mesmo o metal mais valioso do mundo é imune ao choque entre a geopolítica do medo e a força do dólar."
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