Da Redação Olhar Informação
Tesouro Nacional projeta salto de até 19% no endividamento; estratégia foca em títulos atrelados à Selic para atrair investidores em cenário de juros altos.
BRASÍLIA — O Tesouro Nacional divulgou nesta semana as diretrizes do Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2026, revelando um horizonte de crescimento acelerado para a Dívida Pública Federal (DPF). Após fechar 2025 com o recorde de R$ 8,635 trilhões, a estimativa é que o estoque da dívida alcance entre R$ 9,20 trilhões e R$ 10,3 trilhões até o final deste ano.
O aumento projetado varia de 12,3% a 19,3%, refletindo os desafios do governo em financiar suas despesas e rolar compromissos passados em um ambiente de taxas de juros elevadas.
O "Raio-X" da Dívida
A composição da dívida para 2026 mostra uma dependência direta da taxa básica de juros (Selic). O governo planeja que os títulos vinculados à Selic representem entre 46% e 50% do total, uma estratégia para manter a atratividade dos papéis brasileiros frente aos investidores, mesmo que isso aumente o risco de custo em caso de novas altas nos juros.
A configuração esperada é:
Selic: 46% a 50%
Inflação (IPCA): 23% a 27%
Prefixados: 21% a 25%
Câmbio: 3% a 7%
Prazos e Riscos de Curto Prazo
O Tesouro trabalha com um prazo médio de vencimento entre 3,8 e 4,2 anos. No entanto, um sinal de alerta acende para a porção da dívida que vence nos próximos 12 meses, que deve subir para a faixa de 18% a 22% (atualmente em 17,5%).
Para garantir que o Brasil não sofra uma crise de liquidez, o governo mantém um "colchão" financeiro robusto de R$ 1,187 trilhão, o suficiente para cobrir mais de sete meses de vencimentos internos sem depender de novas captações imediatas.
Estratégia de Financiamento
Em um cenário de instabilidade, os títulos prefixados — que oferecem previsibilidade ao governo — acabam exigindo taxas muito altas para convencer o investidor. Por isso, o PAF 2026 prevê uma redução desses papéis em favor dos títulos flutuantes (Selic) e corrigidos pela inflação. Embora os títulos Selic tragam volatilidade ao custo da dívida, eles garantem que o governo consiga continuar captando recursos no mercado nacional.
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