Vice-presidente demonstra otimismo apesar da resistência ferrenha da França; Brasil fecha 2025 com exportações em alta e recuperação surpreendente do mercado argentino.
OLHAR - DA REDAÇÃO
BRASÍLIA – O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, voltou a colocar o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) no topo da agenda internacional do governo. Segundo o ministro, o tratado — considerado o maior do mundo — está em um estágio "promissor", apesar do ceticismo que cerca as negociações que já duram 25 anos.
Otimismo contra o Protecionismo
Alckmin destacou que a conclusão do acordo é estratégica para o Brasil em um cenário global marcado por instabilidades geopolíticas e o avanço de barreiras protecionistas. A orientação do presidente Lula é clara: intensificar o diálogo para romper o impasse europeu.
No entanto, o otimismo do governo brasileiro esbarra na realidade política do Velho Continente. O que deveria ter sido assinado em dezembro ficou na promessa devido à falta de consenso. O principal obstáculo continua sendo o agronegócio francês, com o presidente Emmanuel Macron exigindo cláusulas ambientais e de proteção rígidas que, na prática, travam a competitividade dos produtores sul-americanos.
O Caminho da Ratificação
Mesmo que um aperto de mãos ocorra em breve, o caminho jurídico é longo e tortuoso:
- Assinatura Formal: Comissão Europeia e líderes do Mercosul.
- Parlamento Europeu: Aprovação do bloco.
- Parlamentos Nacionais: Aprovação individual nos 27 países da UE (onde reside o maior risco de veto).
- Ratificação no Brasil: Aprovação pelo Congresso Nacional.
Brasil em Alta: Exportações batem recorde em 2025
Enquanto o acordo com os europeus não sai do papel, o Brasil tem buscado diversificar seus parceiros. Alckmin apresentou números robustos sobre o desempenho do comércio exterior brasileiro no último ano:
- Crescimento Global: As exportações brasileiras saltaram 5,7%, superando a média mundial de 2,4%.
- A "Locomotiva" Argentina: Após períodos de incerteza, o mercado argentino voltou a ser o principal destino de produtos manufaturados, com alta de 31,4% nas compras, especialmente no setor automotivo.
- Novas Fronteiras: O Mdic negocia ampliação de regimes tarifários com Índia, México e Canadá, além de um acordo de cooperação com os Emirados Árabes Unidos.
Análise: A eterna promessa
O otimismo de Alckmin é visto por especialistas como uma ferramenta de pressão diplomática. Desde 1999, o acordo é anunciado como "iminente". Para o setor produtivo brasileiro, o anúncio gera cautela: enquanto o governo foca no "estágio promissor", o setor agrícola e industrial aguarda para ver se a França deixará, finalmente, o protecionismo de lado em favor de um mercado comum que envolveria mais de 700 milhões de consumidores.
