A cantora Nana Caymmi morreu nesta quinta-feira, aos 84 anos, em decorrência de problemas cardíacos. Ela estava internada havia nove meses na Clínica São José, no Rio de Janeiro. A morte da cantora foi confirmada por seu irmão, o músico e compositor Danilo Caymmi, no início da noite.
“Estamos muitos chocados e tristes”, disse Danilo, em uma postagem em seu perfil no Instagram. “Um processo muito doloroso, de várias comorbidades. Ela pegou nove meses de sofrimento intenso, dentro de uma UTI de hospital”, disse o músico, referindo-se ao período em que Nana esteve internada.
De acordo com nota divulgada pela Casa de Saúde São José, Nana morreu “em decorrência da disfunção de múltiplos órgãos”, às 19h10 desta quinta-feira.
Além dos problemas cardíacos que abalaram sua saúde em 2024 e obrigaram os médicos a implantar um marcapasso para contornar uma arritmia cardíaca, Nana enfrentou um câncer de estômago em 2015.
Ao Estadão, o irmão de Nana, Danilo Caymmi, afirmou que, além da implantação de um marcapasso para corrigir a arritmia cardíaca, Nana apresentava desconforto respiratório e passava por hemodiálise diariamente. Nana também sofria de um quadro de osteomielite, uma infecção nos ossos, que lhe causava muitas dores. Segundo ele, Nana esteve lúcida por todo o tempo, mas, no dia 30 de abril, entrou em choque séptico.
Filha do compositor baiano Dorival Caymmi e da cantora Stella Maris, Nana nasceu no Rio de Janeiro com o nome de Dinahir Tostes Caymmi, o mesmo de uma tia, irmã do pai. Incentivada pelos pais, começou a estudar piano clássico ainda criança. Em 1960, entrou no estúdio com Caymmi para fazer sua primeira gravação, Acalanto, a canção de ninar feita para ela pelo pai. No mesmo ano, gravou um compacto simples com as músicas Adeus e Nossos Beijos.
Ao mesmo tempo em que dava seus primeiros passos na carreira como cantora, Nana decidiu deixar o Brasil e se casar com o médico venezuelano Gilberto José Aponte Paoli, com quem teve seus três filhos, Stella, Denise e João Gilberto.
De volta ao País, separada, enfrentou o preconceito de Caymmi, que decidiu não falar mais com a filha. Nana foi então socorrida pelo irmão, Dori, que fez a canção Saveiros para ela cantar no I Festival Internacional da Canção (TV Globo). Foi vaiada ao ser anunciada a vencedora da competição.
Casada então com Gilberto Gil, apresentou-se no III Festival de Música Popular Brasileira na TV Record, em 1967, com a canção Bom Dia, assinada em parceria com Gil. Gravou com o grupo Os Mutantes a canção Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, além de um álbum de carreira.
Em 1973, Nana fez uma exitosa temporada em Buenos Aires, na Argentina, onde lançou um disco pela gravadora Trova. No repertório, músicas de compositores que seriam presenças constantes em seus discos, como Tom Jobim, João Donato, Chico Buarque, além de Caymmi. Nesse mesmo ano, Caymmi se reaproximou da filha, em um programa de televisão.
Ao longo dos anos 1970 e 1980, Nana gravou regularmente. Seus álbuns reuniam não somente um repertório sofisticado, mas também grandes músicos, como João Donato, Helio Delmiro, Toninho Horta, Novelli, além dos irmãos Dori e Danilo. Em 1980, participou da faixa Sentinela, no disco de Milton Nascimento. No início dos anos 1990, gravou Bolero, disco inteiramente dedicado ao gênero.
Com o prestígio de uma das principais cantoras do País, Nana, embora tenha alcançado relativo sucesso com músicas como Mãos de Afeto, Beijo Partido, Contrato de Separação e De Volta ao Começo, além de ser voz presente em trilhas sonoras de novelas da TV Globo, não tinha, no entanto, a mesma popularidade de nomes como Maria Bethânia, Gal Costa e Elis Regina.
Informações do site: https://www.estadao.com.br/cultura/musica/morre-nana-caymmi-uma-das-mais-importantes-cantoras-brasileiras-aos-84-anos/?srsltid=AfmBOootXA4hR2LYg2CS7PP7hjbbbtH4xAb_N-jSwfN8MZdNSh2YbO8s
últimas

