Conselheiro Sérgio Ricardo passa por cima de trâmites lentos para socorrer imediatamente 105 famílias afetadas por calote de R$ 2,5 milhões da Prefeitura.
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) assumiu o protagonismo na resolução de uma crise social que se arrasta pelas ruas de Cuiabá. Em reunião realizada nesta segunda-feira (13), o presidente da Corte de Contas, conselheiro Sérgio Ricardo, recebeu trabalhadores e representantes da empresa MD Terceirizados para dar um basta no impasse que deixou 105 ex-funcionários da limpeza urbana sem salários e verbas rescisórias.
A empresa, que teve seu contrato de prestação de serviços de varrição e pintura de meio-fio encerrado em janeiro deste ano, alega que o colapso financeiro foi provocado por uma dívida de R$ 2,5 milhões acumulada pela Prefeitura de Cuiabá desde o fim de 2024. Para quitar os direitos básicos dos trabalhadores, o montante necessário é de aproximadamente R$ 1,5 milhão.
Prioridade absoluta aos pagamentos
Diante do jogo de empurra e da morosidade do Executivo municipal, a presidência do TCE-MT deixou claro que não haverá espaço para a lentidão administrativa enquanto famílias inteiras estiverem passando necessidade. A ordem é dar celeridade absoluta ao caso.
"A nossa prioridade é garantir que esses trabalhadores recebam o quanto antes. Depois, será tratada a questão do pagamento da empresa", enfatizou de forma categórica o conselheiro Sérgio Ricardo.
A equipe técnica do Tribunal já vinha estruturando uma saída de mediação desde a semana passada. A atuação direta do órgão fiscalizador foi solicitada pelo próprio Executivo municipal, que se viu sem alternativas viáveis para destravar o impasse de forma célere.
Financiamento forçado do serviço público
De acordo com a advogada da MD Terceirizados, Catiane Janjob, a empresa funcionou como uma espécie de "fiadora" da limpeza pública da capital nos últimos meses de contrato.
Serviço mantido: Mesmo sem receber os repasses de novembro e dezembro de 2024, a empresa continuou operando, pagando salários, fornecedores e disponibilizando equipamentos.
Falta de retorno: Diante do silêncio da prefeitura, as negociações diretas travaram, tornando a intervenção do TCE-MT a única luz no fim do túnel para uma solução consensual.
O drama de quem trabalhou e não recebeu
Por trás dos números, existem histórias de sobrevivência. Aneliet Gamboa, cidadã cubana que atuava como agente de conservação, relatou a angústia de depender do dinheiro para sustentar os filhos e honrar compromissos básicos como aluguel e cartão de crédito.
A mesma indignação é compartilhada por Suellen Cristina Guimarães Alves, ex-agente de roçagem, que desabafou sobre a busca frustrada por respostas junto ao município:
"Não estamos pedindo nenhum favor. Queremos apenas receber pelo trabalho que realizamos e superar essa situação com dignidade."
Olhar Informação: A eficiência que o cidadão espera - O caso da MD Terceirizados e da Prefeitura de Cuiabá expõe uma ferida crônica na administração pública: a insensibilidade burocrática diante de direitos essenciais. Quando a engrenagem estatal falha em cumprir suas obrigações básicas, o cidadão mais vulnerável é quem paga a conta. O Olhar Informação parabeniza e valoriza a postura do TCE-MT, sob a liderança de Sérgio Ricardo, que escolheu humanizar o processo e buscar soluções práticas em vez de se esconder atrás de prazos e relatórios. Atitudes proativas como esta resgatam a credibilidade das instituições e provam que o poder público pode — e deve — funcionar com eficiência, agilidade e justiça social.

