Da Redação Olhar Informação
Um descaso total com nossa história: Única capital tricentenária do Centro-Oeste, Cuiabá assiste à perda gradual de sua identidade enquanto o casario colonial sucumbe ao tempo e ao sufocamento urbano.
CUIABÁ – Quem caminha pelas ruas estreitas do Centro Histórico de Cuiabá sente o peso de três séculos de história, mas também o amargo sabor do abandono. Nossos casarões, símbolos máximos da identidade cuiabana com suas paredes de taipa e telhados de barro, enfrentam hoje uma dualidade cruel: enquanto deveriam ser o cartão-postal de uma capital orgulhosa, agonizam com infiltrações, deterioração e a falta de manutenção adequada.
É um absurdo o tratamento dado ao nosso maior patrimônio. Cuiabá é a única capital da região com uma história tricentenária e, a cada tijolo que cai, perdemos um pedaço de quem somos.
O Cerco Urbano e o Risco do Tráfego Ligeiro
Nas ruas curtas e estreitas, projetadas em outros séculos, o perigo não vem dos ônibus ou caminhões, que não conseguem circular por ali. O verdadeiro ataque vem do volume incessante de carros e motocicletas que disputam cada centímetro de asfalto. A vibração constante, as colisões acidentais que danificam fachadas seculares e o sufocamento urbano aceleram as rachaduras nas fundações dos imóveis.
Além do risco estrutural, o pedestre — o verdadeiro dono da cidade — é espremido em calçadas minúsculas, em uma disputa desigual com o fluxo contínuo de veículos ligeiros, comprometendo o conforto e a segurança de quem tenta vivenciar o centro.
O Papel do IPHAN e a Responsabilidade Coletiva
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tenta equilibrar o jogo com fiscalizações, regulamentações e projetos de restauração em parceria com o Estado e o Município. No entanto, o esforço parece insuficiente diante da velocidade do desgaste e da falta de um plano de mobilidade que priorize a preservação. A educação patrimonial é vital, mas sem políticas públicas agressivas de incentivo aos proprietários, o que sobra é o pó do esquecimento.
Preservar o Centro Histórico não é "guardar velharia"; é manter viva a alma de uma cidade que nasceu do ouro e se forjou na resistência. Não podemos permitir que o progresso mal planejado apague o rastro dos nossos antepassados.
Olhar Informação: Quem não respeita o passado, não entende o valor do futuro. Nossa história pede socorro.
