Mães de crianças com deficiência enfrentam o fantasma da demissão de cuidadores e a redução de verbas: “Se a gente cair, vai ser lutando”.
O desabafo de mães de crianças neuroatípicas nas redes sociais joga luz sobre um drama que se arrasta e ganha novos capítulos de incerteza em Cuiabá. Nas últimas semanas, relatos de mães expressam o temor diante de cortes que afetam diretamente o suporte pedagógico dos estudantes que dependem da educação inclusiva. O principal receio das famílias envolve a demissão de Cuidadores de Alunos com Deficiência (CAD) e o impacto real na rotina escolar a partir do próximo semestre.
Em publicações recentes que circulam na internet, como a da moradora Karolynem Klopes, mães relembram os protestos realizados em frente ao Palácio Alencastro e questionam as decisões fiscais da administração municipal. "Vai demorar quantos dias pra minha CAD ser demitida? Tem mais quantos dias de aula pro meu filho com o mínimo de inclusão?", desabafou a mãe em uma postagem, simbolizando a aflição de centenas de famílias que temem ver seus filhos desassistidos dentro das salas de aula.
Um histórico de lutas e promessas em xeque
A mobilização dessas famílias não é recente. Desde o início da atual gestão, o segmento tem enfrentado forte instabilidade. O município já havia registrado manifestações de cuidadores e familiares na praça da prefeitura após impasses contratuais com as empresas terceirizadas que prestam o serviço de assistência escolar.
O cenário de incertezas se agravou com decretos que remanejaram recursos de pastas sociais para o cumprimento de obrigações fiscais e sentenças judiciais da Prefeitura. Movimentações orçamentárias publicadas no Diário Oficial retiraram verbas de ações que seriam destinadas originalmente à acessibilidade e à promoção dos direitos de pessoas com deficiência para quitar precatórios e despesas com pessoal inativo.
As medidas criam um forte contraste com o plano de governo registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), intitulado “Cuiabá para Todos: Acessibilidade e Inclusão como Prioridade”, que previa a ampliação do suporte e das estruturas para esse público.
Com o orçamento sob pressão e a proximidade do encerramento do período letivo do primeiro semestre, o fantasma da descontinuidade dos serviços assombra quem precisa do poder público para exercer o direito básico de estudar. Para as mães atípicas, no entanto, recuar não é uma opção. A rede de apoio mútua segue firme nas cobranças por transparência, manutenção dos profissionais de apoio e a garantia de que as crianças não sejam empurradas de volta para o isolamento em casa.
Olhar Informação: A dignidade e o direito à educação das crianças com deficiência não podem ser tratados como números negociáveis em planilhas de ajuste fiscal. A justa e histórica luta dessas famílias também é nossa, e este portal continuará cobrando as respostas e o respeito que Cuiabá deve a cada uma delas.

Izaura Patrícia de Brito Teixeira 27/05/2026
Parabéns pela matéria, estamos desde ano passado lutando pelos nossos filhos. Seu texto mostra a verdade . O prefeito tirou milhões da educação inclusiva e está coagindo as CAD pois no mês passado fizeram ir na SME depois do horário normal de trabalho, até tarde da noite 10 h para provarem que existem agora estão indo nas escolas para isso mesmo e teve relatos de abusos com as crianças, estão fazendo perguntas aos menores , sem autorização dos pais. Qual o motivo de tamanha arbitrariedade?? Prefeito sem projeto político .
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