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18 de Agosto de 2026
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18 de Agosto de 2026

CIDADES Sexta-feira, 10 de Julho de 2026, 07:33 - A | A

Sexta-feira, 10 de Julho de 2026, 07h:33 - A | A

O Ouro Azul que Virou Lama

Como Cuiabá e Várzea Grande Condenam Suas Próprias Fontes de Vida ao Esgoto e à Inutilidade

DA REDAÇÃO OLHAR INFORMAÇÃO

Ilustração Olhar Informação com IA

Ia rio

Até quando seremos incapazes de cuidar de nossa maior preciosidade, a água?

Linha Fina: Com centenas de nascentes e dezenas de córregos urbanos, a Baixada Cuiabana ignora seu potencial hídrico, destrói rios históricos como o Cuiabá e o Coxipó e impõe o paradoxo da torneira seca a milhares de famílias.

Cuiabá e Várzea Grande estão sufocando a própria sobrevivência sob o manto do descaso urbano. As duas maiores cidades de Mato Grosso ostentam uma riqueza natural invejável: apenas a capital possui quase 270 nascentes catalogadas e cerca de 28 córregos principais cortando seus bairros. Em um cenário de planejamento sério e respeito ao meio ambiente, essa impressionante teia hidrográfica deveria ser sinônimo de fartura, garantindo água potável abundante na torneira de cada cidadão. No entanto, a realidade desenhada pela omissão do poder público é cruel e paradoxal. O ecossistema local foi transformado em uma rede de esgotos a céu aberto, onde a água limpa que brota da terra é assassinada metros depois pelo despejo de dejetos e pela falta de saneamento básico.

É triste testemunhar uma realidade de abandono tão severa, cujo impacto hoje ameaça os maiores símbolos identitários da nossa região. O emblemático Rio Cuiabá, que moldou a história e a cultura da Baixada, agoniza a cada período de estiagem, sufocado pelo assoreamento e por toneladas de esgoto sem tratamento que recebe diariamente de seus afluentes urbanos. O Rio Coxipó, outrora destino de lazer de águas cristalinas, segue o mesmo roteiro de agonia, sendo empurrado para a degradação pelo crescimento imobiliário desordenado e pela total ausência de fiscalização eficaz. Córregos históricos como o Barbado, o Gumitá e o da Manga (em Várzea Grande) viraram valas inutilizáveis, canais cinzentos de poluição que a cidade finge não ver até que as chuvas intensas cheguem, transbordando o lixo de volta para o asfalto.

Enquanto o patrimônio hídrico é jogado no lixo, milhares de famílias cuiabanas e várzea-grandenses convivem com a humilhação da intermitência no abastecimento, dependendo de caminhões-pipa ou do calendário incerto das concessionárias. A destruição das microbacias e o soterramento de olhos d'água pelo cimento pavimentam um futuro de escassez e insegurança climática. Tratar a água potável como um estorvo a ser canalizado e poluído, em vez de um recurso estratégico de saúde e dignidade humana, é a maior miopia administrativa da nossa história recente — uma conta alta que o cidadão já paga com a saúde, com o bolso e com o sumiço de suas belezas naturais.

A visão do Olhar Informação: Dar as costas para a nossa riqueza hídrica é decretar a falência do futuro da Baixada Cuiabana. O Olhar Informação reitera que a despoluição dos nossos córregos e a proteção integral dos rios Cuiabá e Coxipó não são apenas pautas ecológicas, mas um dever moral urgente de sobrevivência, dignidade e respeito com o povo mato-grossense.

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