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17 de Junho de 2026
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CIDADES Quinta-feira, 23 de Abril de 2026, 06:55 - A | A

Quinta-feira, 23 de Abril de 2026, 06h:55 - A | A

Cuiabá aperta o cerco

Abilio propõe multas pesadas para eventos que incitem violência contra a mulher

Da Redação Olhar Informação 

Projeto de lei prevê punições que chegam a R$ 100 mil e cassação de alvará; medida surge após polêmica com MC em show na capital.

​O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), enviou à Câmara Municipal um Projeto de Lei (PL) em regime de urgência que promete endurecer as regras para o setor de entretenimento na capital. A proposta estabelece punições rigorosas para bares, casas de shows e organizadores de eventos que permitirem apresentações, falas ou músicas que façam apologia à violência contra a mulher ou exaltem o crime organizado.

Punições e Fiscalização Rígida

​O texto detalha um sistema de sanções que começa com advertências, mas escala rapidamente para o bolso e para a viabilidade do negócio. As multas previstas variam de R$ 5 mil a R$ 100 mil, valor que pode dobrar em caso de reincidência.

​Em situações consideradas extremas, a prefeitura poderá:

  • Interromper imediatamente a apresentação ou conduta irregular.
  • Suspender o alvará de funcionamento.
  • Cassar permanentemente a autorização para o estabelecimento operar.

​Além da pauta de gênero, o projeto também mira eventos que promovam facções criminosas e o tráfico de drogas, desde que associados ao estímulo da violência contra o público feminino.

O Estopim: Vídeo Polêmico em Cuiabá

​A urgência da lei não é por acaso. A proposta ganhou força após uma denúncia feita pela primeira-dama, Samantha Iris (PL). Recentemente, repercutiu nas redes sociais o vídeo de uma apresentação de funk em Cuiabá, no qual o MC, como parte da performance, pisava na cabeça de uma espectadora. O episódio gerou indignação pública e foi o gatilho para que o Executivo municipal buscasse meios legais de impedir que tais cenas se repitam sob o pretexto de "entretenimento".

Entre o Ritmo e o Respeito

​Embora a música seja um campo de liberdade criativa e as polêmicas sobre gostos musicais sempre tenham existido — com ritmos que nem sempre agradam a maioria — a linha entre a expressão cultural e o crime de apologia é o foco central desta lei.

​A característica de um ritmo não justifica o incentivo direto a agressões ou à humilhação. Tratar a mulher como objeto de violência ou instigar o uso de entorpecentes e o domínio de facções cruza o limite do aceitável em um ambiente público. O objetivo, segundo a justificativa do prefeito, é impedir que o entretenimento normalize o discurso de ódio e a agressão física.

​A proposta agora aguarda a análise e votação dos vereadores. Se aprovada, o Executivo terá um prazo de 90 dias para regulamentar a fiscalização e os critérios de autuação.

Olhar Informação: A liberdade de expressão termina onde começa o incentivo à violência; proteger a dignidade da mulher é o primeiro passo para uma sociedade verdadeiramente livre.

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