Na manhã de sábado, 22 de novembro de 2025, o ex‑presidente Jair Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal, por determinação monocrática do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O cumprimento do mandado ocorreu por volta das 6h35, quando a equipe policial o conduziu à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
A prisão não está vinculada ao início do cumprimento da pena de 27 anos e três meses que lhe foi imposta por tentativa de golpe.
A medida foi justificada como garantia da ordem pública, em razão da organização de uma vigília pelos apoiadores nas proximidades da residência de Bolsonaro, convocada pelo senador Flávio Bolsonaro. Moraes considerou que a concentração de pessoas poderia facilitar uma fuga, inclusive apontando a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica às 0h08, que sugeria um deslocamento rumo à embaixada dos Estados Unidos.
O risco de fuga e a potencial perturbação da ordem foram, portanto, os fundamentos para a prisão preventiva.
O ministro também citou a possibilidade de a vigília ganhar grande dimensão e gerar consequências imprevisíveis.
A defesa, que havia solicitado, no dia 21 de novembro, prisão domiciliar humanitária, alegou que a saúde de Bolsonaro está profundamente debilitada, citando a idade avançada, sequelas da facada sofrida em 2018, problemas gastrointestinais e câncer de pele.
Segundo os advogados, essas condições tornam incompatível e perigoso o encarceramento em regime comum. O pedido de prisão domiciliar foi rejeitado, mantendo a custódia preventiva.
O ex‑presidente permanece sob assistência médica na Superintendência da PF, sem o uso de algemas.
Além de Bolsonaro, o ministro Moraes apontou outros integrantes de suposta organização criminosa, como o senador Flávio Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro, a deputada Carla Zambelli e o ex‑deputado Alexandre Ramagem, citando vídeos de incitação e rotas de fuga.
A ação penal 2.668/DF, que já condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses, só terá início efetivo após a confirmação da prisão preventiva.
A medida encerra o período de prisão domiciliar que vigorava desde agosto.
O líder da oposição na Câmara, deputado Luciano Zucco, classificou a prisão como “abominável”, “injusta” e “desumana”, destacando o grave estado de saúde do ex‑presidente.
A reação reforça a controvérsia em torno da decisão judicial.
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