Relatório do Coaf revela repasse da ACX ITC para Verônica Sterman; empresa é suspeita de ser usada para lavagem de dinheiro e pirâmide financeira.
OLHAR DA REDAÇÃO
Um novo desdobramento da CPMI do INSS coloca sob os holofotes o nome da ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Abdalla Sterman. Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Coaf revelaram que a empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A pagou R$ 700 mil ao escritório de advocacia de Sterman entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, período que antecedeu sua posse na Corte.
A ACX ITC é apontada pela Polícia Federal como uma das firmas utilizadas pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, para pulverizar recursos e dificultar o rastreio de valores supostamente ilícitos.
O Pagamento e a Justificativa
O repasse de R$ 700 mil foi feito em uma única parcela. Em nota oficial, a ministra Verônica Sterman esclareceu que o valor refere-se a três pareceres jurídicos de natureza criminal elaborados por ela enquanto ainda exercia a advocacia privada. Sterman afirmou desconhecer qualquer ligação da empresa com o "Careca do INSS" e ressaltou que sua relação profissional com a contratante encerrou-se após a entrega dos trabalhos.
Apesar da justificativa, chamou a atenção dos investigadores o fato de não terem sido localizados processos judiciais em que a ministra tenha atuado formalmente em defesa da ACX ITC ou de seus sócios.
Perfil Político e Ascensão
Verônica Sterman, de 41 anos, foi nomeada para o STM pelo presidente Lula em setembro de 2025. Sua trajetória na advocacia paulista inclui a defesa de figuras de peso da política nacional, como o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ministra Gleisi Hoffmann, que apoiaram sua indicação ao tribunal.
Empresa "Milionária" sob Suspeita
A investigação revela contornos inusitados sobre a ACX ITC. Embora possua um capital social registrado de R$ 101,2 milhões, a empresa tinha como sócia, até pouco tempo, uma beneficiária do Bolsa Família e do Auxílio Emergencial. Erika Nogueira Marques da Costa detinha metade das cotas da firma enquanto recebia auxílio do governo.
Além da suspeita de ser uma "empresa de fachada" para o esquema do INSS, a ACX ITC é acusada por investidores de operar uma pirâmide financeira. Uma advogada de Santa Catarina alega ter perdido R$ 780 mil em investimentos no grupo, que ostentava luxo para atrair vítimas antes de bloquear o acesso aos valores.
Outros Envolvidos
O relatório do Coaf também identificou pagamentos da mesma empresa ao escritório do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Nefi Cordeiro, no valor de R$ 595 mil. Assim como Sterman, Cordeiro afirmou que os valores são referentes a serviços advocatícios regulares prestados após sua saída da magistratura.
O caso segue sob análise da CPMI, que busca entender o fluxo financeiro que movimentou mais de R$ 266 milhões em apenas quatro meses nas contas da ACX ITC.
