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17 de Junho de 2026
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BRASIL Domingo, 18 de Janeiro de 2026, 16:37 - A | A

Domingo, 18 de Janeiro de 2026, 16h:37 - A | A

Crise Institucional:

Delegados da PF reagem a decisões de Toffoli e apontam "afronta" em investigação

Olhar Da Redação 

​A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) subiu o tom neste sábado (17) ao divulgar uma nota oficial manifestando "legítima perplexidade institucional" com o rumo do inquérito do chamado "Caso Master". Sob relatoria do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), a investigação tem sido palco de um mal-estar crescente entre a magistratura e a cúpula da Polícia Federal.

​Os delegados afirmam que as prerrogativas da classe estão sendo "indevidamente mitigadas" por decisões que fogem ao rito tradicional, criando um cenário que classificam como "manifestamente atípico".

​Ingerência no Planejamento Investigativo

​A principal queixa da categoria reside na interferência direta do ministro na condução técnica dos trabalhos. Segundo a ADPF, Toffoli tem determinado procedimentos como acareações, prazos extremamente curtos para buscas e apreensões, e inquirições que ocorrem "à margem do planejamento" estabelecido pela autoridade policial.

​Entre os pontos de maior atrito citados na nota estão:

  • Escolha Nominal de Peritos: O ministro teria indicado nomes específicos para analisar materiais apreendidos, o que a ADPF contesta, afirmando que nem internamente a designação ocorre por escolha pessoal.
  • Destino de Materiais: Houve idas e vindas sobre onde ficariam os objetos apreendidos na Operação Compliance Zero — primeiro o STF, depois a PGR —, gerando insegurança jurídica.
  • Acareações Compulsórias: Em dezembro, Toffoli marcou um confronto direto entre o Banco Central, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

​Acusações de "Inércia"

​O clima azedou definitivamente quando o ministro Dias Toffoli atribuiu à Polícia Federal uma suposta "inércia" na abertura da segunda etapa da Operação Compliance Zero. Os delegados rebateram a crítica, defendendo que as investigações da corporação são assentadas em "protocolos técnicos consagrados" e que a condução deve ser técnica e imparcial, livre de pressões políticas ou externas.

​"Compete ao STF o exercício da jurisdição constitucional, enquanto aos delegados incumbe a condução da investigação criminal", ressaltou a nota da associação, em uma clara tentativa de delimitar as fronteiras de atuação de cada órgão.

 

​O Futuro da Investigação

​A ADPF espera que o Supremo e a Polícia Federal restabeleçam uma "atuação harmônica e cooperativa", mas alerta que a manutenção do atual cenário compromete a "completa elucidação dos fatos". Para os delegados, a autonomia investigativa é a única garantia de que o Caso Master — que envolve figuras influentes do setor bancário — seja apurado com a transparência necessária.

​A nota termina reforçando que a PF sempre atuou em conjunto com o STF em grandes operações, mas que essa parceria exige respeito mútuo às atribuições legais de cada instituição.

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