Enquanto Planalto fala em "intervenção", chefes de Executivos estaduais, incluindo o governador Otaviano Pivetta aqui em Mato Grosso, defendem medida de Washington como reforço contra o domínio territorial das facções.
A decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações "terroristas globais" abriu uma forte divergência política entre o Palácio do Planalto e os governos estaduais. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou um tom duro de nacionalismo, acusando Washington de ferir a soberania nacional, governadores e ex-governadores de peso saíram em defesa da medida americana, apontando a urgência de ações mais severas contra o crime organizado.
Em Sergipe, Lula criticou a postura do secretário de Estado americano, Marco Rubio, e do governo de Donald Trump, afirmando que o Brasil resolverá o problema internamente através da Lei Antifacção. No entanto, para os gestores estaduais que lidam diariamente com a segurança pública, a leitura é completamente diferente.
Apoio nos estados: "Criminosos não fazem parte da soberania"
Em Mato Grosso, o governador Otaviano Flexa endossou a classificação americana. A visão compartilhada por ele e por outros chefes de Executivos estaduais e lideranças de direita — como os governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo) e os ex-governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Romeu Zema (Minas Gerais) — é de que a medida não representa uma interferência na autonomia do Brasil, mas sim um mecanismo necessário de asfixia financeira internacional contra grupos que já dominam territórios inteiros e aterrorizam a população.
Defensores da medida argumentam que as facções criminosas operam como corporações transnacionais que cruzam fronteiras com armas e drogas, não possuindo qualquer direito de serem protegidas sob o manto da "soberania nacional".
“O governo americano acaba de classificar como terroristas as organizações criminosas do PCC e do Comando Vermelho. E o Lula os classifica como vítimas”, criticou o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, evidenciando o abismo entre o discurso de Brasília e a realidade defendida pela oposição.
O que muda na prática com o cerco americano
A partir do dia 5 de junho, quando a medida entra oficialmente em vigor, o PCC e o CV passam a integrar a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). Na prática, o governo dos EUA passa a tratar as facções sob a ótica da segurança nacional, facilitando:
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O bloqueio imediato de bens e contas bancárias no exterior.
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A punição legal rigorosa para qualquer entidade ou instituição financeira que preste apoio material ou faça transações ligadas a esses grupos.
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A aceleração de mecanismos internacionais de inteligência e compartilhamento de dados.
Enquanto o governo federal tenta politizar o debate e focar as críticas nas viagens da oposição a Washington, os governadores cobram resultados práticos e enxergam na cooperação internacional uma ferramenta indispensável para conter o poder bélico e financeiro que hoje desafia o Estado brasileiro.
A visão do Olhar Informação:
A verdadeira soberania se defende garantindo o controle do território e a segurança do cidadão; tratar organizações que dominam comunidades e movimentam bilhões fora da lei como simples problema interno é fechar os olhos para a realidade que os estados enfrentam todos os dias.
