Nova pesquisa AtlasIntel detalha cenários para o Planalto, enquanto despesas da União disparam e megaoperação do MP mira o crime organizado em seis estados.
Brasília – O cenário político e econômico brasileiro teve uma quinta-feira de movimentações intensas, desenhando o panorama das forças que devem ditar os rumos do país nos próximos meses. Da corrida eleitoral aos bastidores partidários, passando por dados fiscais alarmantes e o combate ao crime organizado, as principais esferas do poder público operam sob forte pressão.
Confira o resumo dos principais acontecimentos que movimentam o Brasil:
Cenário Eleitoral: Lula e Flávio Bolsonaro polarizam intenções de voto
A mais recente pesquisa do instituto AtlasIntel reforça a manutenção da polarização política no país. No cenário de primeiro turno, o presidente Lula lidera com 46,3% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro, que aparece com 36,6%.
Em uma eventual simulação de segundo turno, o petista soma 48,8% contra 42,3% do parlamentar fluminense — números que mostram estabilidade e mantêm um desenho muito próximo ao levantamento anterior, realizado em maio. O instituto também trouxe um ranking inédito de rejeição: o ex-governador Aécio Neves lidera o índice com 54%, seguido de perto por Flávio Bolsonaro (53%) e Lula (48,6%).
Crise Familiar: Michelle deixa o PL Mulher e expõe rusga com Flávio
Os bastidores do Partido Liberal (PL) foram sacudidos pelo anúncio da saída de Michelle Bolsonaro do comando do PL Mulher. A ex-primeira-dama justificou a decisão afirmando que irá se dedicar exclusivamente aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No entanto, a saída ocorre em meio a um desgaste explícito na relação com o enteado. Flávio Bolsonaro veio a público agradecer o trabalho de Michelle à frente da ala feminina, mas não poupou críticas à madrasta por ela ter insinuado publicamente que o senador teria comparecido a uma festa promovida pelo empresário Vittorio Medioli (ou Vorcaro), evidenciando o clima de tensão na ala familiar do partido.
Alerta Fiscal: Gastos da União se aproximam do pico da pandemia
A economia acendeu o sinal amarelo com a divulgação dos dados fiscais de junho. No acumulado dos últimos 12 meses, as despesas do Governo Federal atingiram a marca de R$ 2,6 trilhões. O montante caminha a passos largos para alcançar o recorde histórico de R$ 2,8 trilhões registrado em novembro de 2020, período em que o país enfrentava o ápice dos gastos emergenciais da pandemia de Covid-19. Conforme os relatórios, os principais motores dessa escalada de custos são os pagamentos da Previdência Social e os desembolsos com o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Paralelamente, o Palácio do Planalto calcula o impacto das rodadas de renegociação das dívidas estaduais. Projeções indicam que a União poderá abrir mão de R$ 347 bilhões ao longo dos próximos 30 anos. A medida deve concentrar mais de 92% de seu benefício financeiro em apenas quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O recuo preocupa técnicos do governo, já que o recebimento dessas dívidas é uma das fontes usadas pelo caixa federal para honrar seus próprios compromissos financeiros.
Segurança e Fronteiras: Megaoperação e sanções internacionais miram o PCC
No campo da segurança pública, o Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC), por meio do GAECO, deflagrou a maior operação de sua história contra a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A ofensiva interestadual mobilizou forças policiais para o cumprimento de 320 mandados judiciais em seis estados diferentes.
A pressão contra a organização também ecoou no exterior. O governo dos Estados Unidos anunciou sanções financeiras contra dois cidadãos brasileiros, três empresas com sede em São Paulo e uma companhia baseada em Portugal, sob a suspeita de integrarem um complexo esquema internacional de lavagem de dinheiro da facção. A administração americana declarou formalmente que considera o PCC a maior organização criminosa em atividade no Ocidente.
Investigação no Congresso: PF apura dinheiro vivo em flat de deputado
Na Câmara dos Deputados, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, tornou-se alvo de desdobramentos de uma investigação da Polícia Federal. Os agentes federais apuram se aliados do parlamentar forjaram a lavratura da escritura de venda de um imóvel. A suspeita é de que o documento tenha sido fabricado retroativamente para tentar justificar a origem de R$ 470 mil em dinheiro em espécie, apreendidos em um flat utilizado pelo deputado. Anteriormente, Sóstenes havia declarado que o valor era lícito e decorrente de uma transação imobiliária legítima.
"No Olhar Informação, avaliamos que o dinamismo dos fatos desta quinta-feira reflete o retrato de um Brasil complexo, onde a consolidação das forças eleitorais e o rigor das operações de segurança pública dividem as atenções com o persistente desafio do equilíbrio fiscal do país."
