Análise do especialista Leonardo Estephan aponta que a busca por engajamento e o "jornalismo utilitarista" estão sufocando a verdade objetiva em meio à polarização.
Em um cenário onde a notícia corre na velocidade dos algoritmos, a verdade parece ter se tornado um subproduto opcional. Esta é a tese central de Leonardo Estephan, criador de conteúdo especializado no Supremo Tribunal Federal (STF), ao analisar o recente "caso Banco Master". Para o analista, o episódio serve como um espelho das falhas estruturais da imprensa brasileira contemporânea, que muitas vezes sacrifica o rigor técnico em favor do escândalo e da audiência.
Os Dois Pilares da Verdade
Segundo Estephan, a construção da verdade deveria se sustentar em dois pilares fundamentais que parecem estar em desuso:
- Correspondência: O alinhamento direto e inquestionável com os fatos reais.
- Coerência: A consistência lógica interna das narrativas apresentadas.
O analista critica o surgimento do que chama de "jornalismo utilitarista". Nesta modalidade, a liberdade de imprensa e o sigilo de fontes deixam de ser garantias democráticas para se tornarem ferramentas pragmáticas de manipulação. O resultado? A criação de "quase-verdades" — informações parciais que prendem o público em bolhas de ilusão e impedem o discernimento da realidade.
O Caso Banco Master sob a Lupa
A análise ganha contornos práticos ao observar a cobertura do Banco Master. Estephan aponta que a matéria assinada pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, baseou-se em uma única fonte, carecendo de documentos robustos ou corroboração de instituições oficiais. No jornalismo clássico, isso não constituiria uma verdade absoluta, mas na era da polarização, bastou para incendiar o debate público.
Por outro lado, a resposta das instituições também é alvo de ressalvas:
- Gabinete de Alexandre de Moraes: Emitiu notas negando as alegações, porém, segundo Estephan, o texto foi omisso em pontos cruciais, não esgotando as dúvidas levantadas.
- Ministro Dias Toffoli: Ao decretar o sigilo na investigação, o ministro agiu para bloquear o "jornalismo sensacionalista", mas a medida acabou alimentando a descrença de parte da população no Poder Judiciário.
O Limite do Discernimento
Para Estephan, o caso é emblemático porque revela que, sem evidências robustas, a imprensa acaba operando no campo das percepções enviesadas. Em um ambiente midiático onde o objetivo é atrair atenção a qualquer custo, a objetividade torna-se a primeira vítima.
A conclusão é um alerta: a busca pela verdade tornou-se um exercício exaustivo e quase impossível para o cidadão comum, perdido entre o silêncio estratégico das cortes e o barulho ensurdecedor das manchetes baseadas em fontes únicas.
