Durante a conferência climática COP30 em Belém, Brasil, em novembro de 2025, crimes ambientais na Amazônia revelam o papel crítico do crime organizado em impedir a mitigação do aquecimento global. Grupos criminosos como o Comando Vermelho (CV) dominam a mineração ilegal de ouro, a exploração madeireira na floresta tropical e o tráfico de drogas, transformando ecossistemas vibrantes em terrenos baldios envenenados através do desmatamento e do uso de mercúrio.
Rodrigo Ghiringhelli, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), identifica o CV como a principal organização por trás dessas atividades.
Um estudo de outubro de 2025 do serviço de inteligência brasileiro Abin e do FBSP destaca o tráfico de drogas, a mineração ilegal de ouro e o tráfico de pessoas como grandes ameaças à população e ao meio ambiente da Amazônia.
Essas operações prosperam devido aos preços crescentes do ouro, à supervisão governamental mínima na região e às fronteiras porosas com Colômbia, Peru, Venezuela, Bolívia, Equador, Suriname e Guiana.
O relatório de dezembro de 2024 do FBSP sobre Violência na Amazônia adverte sobre a escalada de disputas territoriais de cartéis, causando assassinatos, outros crimes e danos ecológicos irreversíveis, enquadrando o controle de atividades econômicas como uma barreira ao desenvolvimento sustentável.
Facções criminosas, espalhando-se do sudeste do Brasil, operam em pelo menos 260 municípios amazônicos, com o CV controlando metade.
Em Belém, a influência do CV levou à suspensão de uma expansão vital de subestação ordenada pouco antes da COP30, levando o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a aumentar a segurança.
A empresa local de energia Belém Transmissora de Energia tem enfrentado ameaças e intimidações desde maio de 2025, enquanto os moradores dos bairros afetados pagam dinheiro de proteção e seguem as regras do cartel disseminadas via WhatsApp, aplicando um código de silêncio.
A invasão policial de 29 de outubro de 2025 em uma favela do Rio de Janeiro resultou em mais de 120 mortes, muitas ligadas ao CV, aumentando os temores de retaliação em Belém e levando o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mobilizar as forças armadas sob a Operação de Garantia da Lei e da Ordem durante a conferência. Isso espelha usos militares anteriores no G20 em novembro de 2024 e na cúpula do BRICS em julho de 2025.
A expansão do CV para o norte remonta à Copa do Mundo de 2014 e às Olimpíadas de 2016, quando as Unidades de Polícia Pacificadora do Rio deslocaram gangues, empurrando-as para áreas do norte menos policiadas, conforme observado pelo coordenador da Abin, Pedro de Souza Mesquita.
Originário há mais de 40 anos na prisão de Candido Mendes durante a ditadura militar brasileira de 1964-1989, o CV evoluiu de uma aliança de prisioneiros contra o crime interno para um poderoso sindicato latino-americano controlando rotas de cocaína e diversificando crimes.
Após o massacre do Rio, o Congresso do Brasil lançou uma comissão parlamentar de inquérito em 4 de novembro de 2025 para investigar a infiltração do crime organizado na política e na sociedade.
A advogada Aiala Coutovon da Universidade do Estado do Pará descreve o CV como um cartel internacional de drogas com amplas operações ilegais.
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