Da Redação Olhar Informação
O impasse está lançado: entre o ativismo judicial e a resistência do Congresso, o cidadão brasileiro assiste ao desgaste da instituição que deveria ser o porto seguro da Constituição
EDITORIAL / ANÁLISE – O Brasil vive um dos momentos mais delicados de sua história democrática no que diz respeito ao equilíbrio entre os Poderes. O Supremo Tribunal Federal (STF), órgão máximo do Judiciário e guardião da Constituição, enfrenta hoje um desafio que vai além dos processos: a luta pela recuperação de sua própria credibilidade perante a sociedade.
O Árbitro no Meio do Jogo
A crítica, que ecoa com força nas ruas e nos corredores do Congresso, é que o Supremo deixou de ser apenas o árbitro para se tornar um dos jogadores mais influentes do tabuleiro político. O chamado "ativismo judicial" — quando a Corte passa a legislar ou a interferir em decisões que caberiam aos representantes eleitos pelo povo — criou uma ferida aberta na relação entre os Poderes.
Como bem apontam lideranças políticas de Mato Grosso e do Brasil, o maior culpado por esse desgaste, muitas vezes, acaba sendo o próprio tribunal. Decisões monocráticas que anulam leis aprovadas pelo Legislativo e o envolvimento constante de ministros em debates políticos públicos geram uma insegurança jurídica que trava o país.
A Reação do Legislativo
O projeto de reforma apresentado pelo ministro Flávio Dino é o exemplo mais recente desse curto-circuito. Enquanto o STF tenta propor "auto-reformas", a oposição no Congresso vê a medida como uma manobra para desviar o foco de crises do Executivo. A direita já avisou: qualquer mudança profunda só deverá avançar quando o Parlamento sentir que tem força para impor limites claros ao que consideram "excessos" da Corte.
O Que Esperar?
O cidadão comum, que paga seus impostos e espera que as leis sejam aplicadas de forma imparcial, sente-se perdido em meio a essa queda de braço. A credibilidade não se impõe por decreto; ela se conquista com a moderação e o respeito estrito à separação de poderes estabelecida em 1988.
"O Olhar Informação analisa: O Supremo hoje caminha sobre brasas. Para resgatar a confiança do povo brasileiro, a Corte precisará entender que a sua força não reside na política, mas na sobriedade da toga. Sem credibilidade, a justiça se torna apenas mais uma forma de exercício de poder."
