Da Redação Olhar Informação
Por @sidsidao12
Recentemente, um texto que circula nas redes sociais acendeu um alerta necessário: a música que consumimos hoje está nos "emburrecendo" ou viciando em dor? O questionamento, que cita nomes como Milton Nascimento e Pedro Cardoso, vai além do gosto pessoal e entra na esfera da formação emocional e cognitiva de uma nação.
O Entorpecimento pelo Ritmo
A crítica ao funk contemporâneo foca na repetição e na hipersexualização. O argumento é que a batida agressiva e as letras de ostentação imediata priorizam o "instinto sobre a reflexão". Estaríamos criando uma geração de ouvintes que busca o "desligamento" cognitivo em vez da conexão intelectual? O funk, que nasceu como voz da periferia, hoje parece, para muitos críticos, ter se tornado um ciclo de excitação sensorial sem profundidade poética.
A Romantização da Traição e do Álcool
Do outro lado, o sertanejo — que no nosso Mato Grosso é quase uma religião — sofre um ataque direto à sua fase "universitária". Se antes o caipira raiz cantava a lida, a terra e o amor puro, o repertório atual parece girar em um "loop" infinito de bebedeira, chifre e vingança. Como bem disse Marília Mendonça no início da carreira, virou "música de corno". O perigo apontado é a normalização da dor crônica e da infidelidade como estilo de vida.
Música: Espelho ou Martelo?
A grande questão para nós, comunicadores e observadores da sociedade, é: a música apenas reflete o que o brasileiro já vive ou ela funciona como um martelo que molda e agrava esses comportamentos?
O Funk embrutece?
O Sertanejo corrói por dentro?
Estamos trocando a construção de um pensamento crítico pela satisfação imediata do corpo ou pelo masoquismo sentimental das letras de "sofrência".
A Crise é Estética ou Educacional?
Talvez o problema não seja o gênero musical em si, mas o esvaziamento de repertório de uma sociedade que não encontra mais espaço para a complexidade. Quando a arte se torna apenas um produto de consumo rápido, o conteúdo é o primeiro a morrer.
