Nos últimos anos, os cigarros eletrônicos – também conhecidos como vapes ou dispositivos de vaporização – ganharam popularidade, especialmente entre os jovens. Com aromas atrativos e a falsa ideia de que são menos prejudiciais do que os cigarros tradicionais, esses dispositivos têm preocupado especialistas em saúde pública.Mas será que o cigarro eletrônico é realmente inofensivo?
A resposta, segundo estudos recentes, é um claro não. Riscos à saúde geral: mais do que vaporApesar da aparência tecnológica e dos sabores agradáveis, o cigarro eletrônico contém nicotina, propilenoglicol, glicerina vegetal, aromatizantes químicos e outras substâncias que podem se transformar em compostos tóxicos quando aquecidos. Entre os principais riscos à saúde estão:
Doenças respiratórias: O uso frequente pode levar à inflamação pulmonar, bronquite e, em casos graves, à condição conhecida como EVALI (lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos).
Dependência química: A nicotina presente nos vapes é altamente viciante, podendo levar o usuário a desenvolver ou manter a dependência.Problemas cardiovasculares: O consumo contínuo pode aumentar a pressão arterial e a frequência cardíaca, elevando o risco de doenças cardíacas.
Exposição de jovens: O apelo visual e sensorial faz com que adolescentes iniciem o uso cedo, prejudicando o desenvolvimento neurológico e criando uma porta de entrada para o tabagismo convencional.
E os dentes? Malefícios para a saúde bucal
O impacto do cigarro eletrônico não se limita aos pulmões ou ao coração. A saúde bucal também sofre com seus efeitos nocivos:Ressecamento bucal: O vapor do cigarro eletrônico reduz a produção de saliva, favorecendo o aparecimento de cáries e mau hálito.Inflamação gengival: Estudos mostram que o uso de vapes pode agravar quadros de gengivite e periodontite.
Desgaste do esmalte dental: Algumas substâncias presentes nos líquidos aromatizantes são ácidas e contribuem para a erosão dos dentes.
Pigmentação e manchas: Apesar de menos intensas que no cigarro convencional, ainda ocorrem manchas nos dentes devido a certos compostos químicos presentes no vapor"Os usuários de cigarros eletrônicos frequentemente apresentam sinais precoces de inflamação gengival e relatam maior sensibilidade dentária. Muitos não associam esses sintomas ao vape, o que atrasa o diagnóstico e o tratamento".
Desconstruindo o mito do ‘menos prejudicial’Um dos principais argumentos usados para defender o uso dos cigarros eletrônicos é que eles seriam “menos prejudiciais” que os cigarros tradicionais. Embora haja diferença no tipo de combustão e nos resíduos inalados, isso não significa que sejam seguros. O que se vê, na prática, é que muitos usuários acabam combinando os dois tipos, aumentando ainda mais os danos.
Alerta das autoridades de saúdeA Anvisa já restringe a comercialização dos cigarros eletrônicos no Brasil, mas o mercado ilegal cresce. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também se posiciona de forma crítica e reforça que os dispositivos não devem ser considerados alternativas seguras ao cigarro.
Prevenção e conscientização são o caminho
O combate ao uso de cigarros eletrônicos passa pela informação, regulação e oferta de apoio para quem deseja parar de fumar. Programas de cessação do tabagismo, acompanhamento médico e campanhas educativas são fundamentais para conter o avanço dessa nova ameaça à saúde pública.Se você ou alguém próximo utiliza cigarros eletrônicos, é importante buscar orientação profissional e conhecer os riscos. Vapor não é inofensivo – e pode custar muito mais que um sopro de fumaça.
Alessandra Vasconcelos
Cirurgiã Dentista - CRO MT 2146
últimas

Juçara Madeiros Vasconcelos 31/05/2025
Excelente reportagem. Dra. Alessandra Vasconcelos, tem se dedicado imensamente contra os cigarros eletrônicos, mostrando os malefícios que causa nos jovens .
1 comentários