Por - Sidney Moreira de Alencar
Por que a infraestrutura estatal é apenas o alicerce, não a solução definitiva para a violência contra a mulher
A segurança pública é, por definição, um dever do Estado, mas a paz social é uma construção coletiva. Temos observado um aumento no efetivo policial, investimentos em novas delegacias e uma infraestrutura de proteção cada vez mais robusta. Essas medidas amenizam o sintoma, mas não curam a enfermidade. O cenário da violência contra a mulher continua assustador e crescente, revelando que a solução não está apenas no braço forte da lei, mas na sensibilidade do olhar social.
Enquanto não houver um chamado real para envolvermos todos os segmentos da sociedade, o processo de mudança será dolorosamente lento. Precisamos de um pacto que atravesse as fronteiras das instituições: escolas educando para a equidade, empresas implementando protocolos de proteção, o legislativo aprimorando normas, e as mídias e entidades sociais pautando o respeito como valor inegociável. É nesta sinergia que reside a esperança de transformarmos o cenário atual em um verdadeiro "Círculo de Respeito".
Como terapeuta especializado em dependência química, entendo que padrões destrutivos só se rompem quando há uma mudança de ambiente e de consciência. Na comunicação e nos eventos, sabemos o poder de um movimento bem coordenado. A estrutura para essa mudança já existe; ela não precisa ser inventada, apenas acionada. O poder público detém a chave para dar o pontapé inicial e fazer esse círculo girar, mas a sustentação do movimento depende de cada um de nós.
Muitas vezes, a solução que buscamos com tanta complexidade está mais próxima do que imaginamos. Como diz o ditado popular, a chave não está perdida no chuveiro; ela está bem ali, em cima da mesa, ao alcance dos olhos. O que falta é a coragem de enxergar e a atitude de abrir a porta para uma nova cultura de convivência.
Sidney Moreira de Alencar
Empresário, Diretor de TV, Produtor de Eventos e Terapeuta.

PAULO LAURENTINO DA SILVA 07/05/2026
Perfeita dissertação mano Sidão. Apenas dependemos de boa vontade e que o uso político desses problemas seja observado pela população que sofre.
Eduardo Ricci 07/05/2026
Realmente a luta pela saúde mental coletiva depende não apenas da rede de atenção psicossocial mas especialmente de um olhar solidário e acolhedor de cada pessoa, das instituições, da escola e do trabalho. Muito relevante o seu artigo.
2 comentários