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Artigos Segunda-feira, 06 de Julho de 2026, 14:35 - A | A

Segunda-feira, 06 de Julho de 2026, 14h:35 - A | A

A democracia perde quando mulheres desistem

POR - JANAÍNA RIVA

Assessoria/Ilustração Olhar Informação

Artigo

Quando se fala em participação feminina na política, quase sempre a discussão começa pelos números: quantas mulheres foram eleitas, quantas chegaram às câmaras, às prefeituras, às assembleias e ao Congresso.

​Os números importam, mas mostram só o resultado final de um problema que começa muito antes da urna.

​A política perde mulheres quando uma liderança preparada pensa em disputar e desiste. Perde quando uma professora, uma médica, uma empresária, uma produtora rural, uma servidora pública, uma advogada ou uma líder comunitária olha para esse ambiente e entende que talvez não valha a pena expor a família, enfrentar ataques, ser julgada pela aparência, pela vida pessoal ou por cobranças que os homens raramente enfrentam.

​A pergunta que precisamos fazer é outra: o que ainda afasta tantas mulheres da política antes mesmo de elas começarem?

​Não falta capacidade. Não falta coragem. Não falta preparo. Falta apoio real, estrutura, espaço dentro dos partidos, respeito no debate público e condições para que essas mulheres disputem de verdade.

​Tenho trabalhado para mudar essa realidade dentro e fora do Parlamento. À frente do MDB de Mato Grosso, tenho defendido que a participação feminina não pode ser tratada como obrigação de nominata ou discurso de ocasião. Precisa ser compromisso partidário, com incentivo, acolhimento, formação, valorização e espaço real para mulheres que já lideram em seus municípios, mas que muitas vezes ainda não se sentem chamadas para entrar na vida pública.

​O MDB tem buscado fortalecer esse caminho, estimulando novas candidaturas femininas, ouvindo lideranças do interior, abrindo espaço para mulheres competitivas e mostrando que partido forte é aquele que prepara, respeita e dá protagonismo às mulheres.

​Mulher na política não quer favor. Quer oportunidade justa. Quer ser avaliada pelo trabalho, pelas ideias, pela entrega e pela capacidade de representar a população.

​Quando uma mulher desiste, quem perde é a sociedade. Perde o município que poderia ter uma vereadora atuante. Perde o Estado que poderia ter mais mulheres ajudando a construir políticas públicas. Perde a democracia, porque nenhuma democracia é completa quando metade da população ainda enfrenta tantas barreiras para participar das decisões.

​Meninas precisam crescer vendo mulheres em posições de liderança como algo natural. Precisam olhar para uma Câmara Municipal, uma Assembleia Legislativa, uma prefeitura, o Senado ou qualquer outro espaço de poder e entender que aquele lugar também pode ser delas.

​A política precisa parar de perder mulheres antes da disputa começar. Precisa abrir portas, proteger trajetórias e respeitar quem tem coragem de participar da vida pública.

​Democracia forte também se mede pela capacidade de fazer mais mulheres acreditarem que podem entrar, permanecer e transformar a vida das pessoas.

Janaina Riva é bacharel em Direito, deputada estadual mais votada de Mato Grosso, presidente do MDB-MT e pré-candidata a senadora.

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