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05 de Dezembro de 2025
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Agronomia Quinta-feira, 20 de Novembro de 2025, 08:09 - A | A

Quinta-feira, 20 de Novembro de 2025, 08h:09 - A | A

Agronegócio

Tarifas dos EUA Ferem Exportações de Mel e Pescado Brasileiros

Da Redação

Setores do agronegócio brasileiro, como o de mel e pescado, enfrentam dificuldades para exportar para os Estados Unidos devido à manutenção de tarifas de 50%, após o governo americano ter retirado parcialmente tarifas de cerca de 200 outros produtos alimentícios.

Essas cadeias produtivas, que têm o mercado americano como um dos mais importantes, buscam resistir à concorrência e à resistência de clientes diante do cenário de tarifas elevadas.

No setor de mel, o presidente da Abemel, Renato Luiz Cruz Azevedo, explica que a queda na demanda, exacerbada pelas tarifas, coincidiu com uma redução na oferta devido a condições climáticas desfavoráveis, o que ajudou a atenuar os efeitos negativos.

Ele acredita que o mel brasileiro, por ser orgânico e único no mercado mundial, tem potencial para reverter a situação, contando com negociações para resolver a questão tarifária até a regularização da oferta com a produção de verão.

De janeiro a outubro de 2025, os EUA compraram 26,1 mil toneladas de mel brasileiro, faturando US$ 87,6 milhões, o que representa 85,1% do total exportado.

Apesar da valorização do produto, que passou de US$ 2,65 para US$ 3,24 o quilo entre agosto e outubro de 2025, a manutenção dos contratos da última safra contribuiu para a receita de US$ 24,6 milhões no período.

Sérgio Farias, da CBA, destaca a necessidade de negociações para a próxima safra, pois o mel não pode ser estocado.

Há preocupação com a concorrência da Índia e com a possibilidade de consumidores trocarem o mel orgânico pelo convencional.

Daniel Breyer, da Abemel, alerta que clientes já sinalizaram buscar novas fornecedoras se as tarifas persistirem, embora reconheça a dificuldade em substituir o Brasil, produtor de 85% do mel orgânico mundial.

Para o setor de pescados, o sócio da Compex, Paulo Gonçalves, afirma que o "tarifaço" atingiu fortemente o segmento, forçando a redução de preços para fornecedores e gerando resistência de clientes.

Ele ressalta a importância do plano de socorro estadual no Ceará para a manutenção dos negócios, pois sem ele a produção seria reduzida pela metade.

A expectativa é de prorrogação desse apoio enquanto se aguarda um acordo bilateral.

O setor emprega mais de 100 mil pessoas diretamente.

Entre agosto e outubro de 2025, as exportações nacionais de pescado para os EUA somaram US$ 30,2 milhões, uma queda de mais de 30% em relação ao ano anterior. No acumulado de janeiro a outubro, houve um crescimento de 10,3%, com o valor exportado passando de US$ 312,8 milhões para US$ 345,2 milhões.

Gonçalves explica que a queda no faturamento se deve aos descontos concedidos para manter os clientes americanos.

A abertura de novos mercados é mais complexa para peixes costeiros do que para lagostas, devido à maior disponibilidade global desses produtos.

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