Setores do agronegócio brasileiro, como o de mel e pescado, enfrentam dificuldades para exportar para os Estados Unidos devido à manutenção de tarifas de 50%, após o governo americano ter retirado parcialmente tarifas de cerca de 200 outros produtos alimentícios.
Essas cadeias produtivas, que têm o mercado americano como um dos mais importantes, buscam resistir à concorrência e à resistência de clientes diante do cenário de tarifas elevadas.
No setor de mel, o presidente da Abemel, Renato Luiz Cruz Azevedo, explica que a queda na demanda, exacerbada pelas tarifas, coincidiu com uma redução na oferta devido a condições climáticas desfavoráveis, o que ajudou a atenuar os efeitos negativos.
Ele acredita que o mel brasileiro, por ser orgânico e único no mercado mundial, tem potencial para reverter a situação, contando com negociações para resolver a questão tarifária até a regularização da oferta com a produção de verão.
De janeiro a outubro de 2025, os EUA compraram 26,1 mil toneladas de mel brasileiro, faturando US$ 87,6 milhões, o que representa 85,1% do total exportado.
Apesar da valorização do produto, que passou de US$ 2,65 para US$ 3,24 o quilo entre agosto e outubro de 2025, a manutenção dos contratos da última safra contribuiu para a receita de US$ 24,6 milhões no período.
Sérgio Farias, da CBA, destaca a necessidade de negociações para a próxima safra, pois o mel não pode ser estocado.
Há preocupação com a concorrência da Índia e com a possibilidade de consumidores trocarem o mel orgânico pelo convencional.
Daniel Breyer, da Abemel, alerta que clientes já sinalizaram buscar novas fornecedoras se as tarifas persistirem, embora reconheça a dificuldade em substituir o Brasil, produtor de 85% do mel orgânico mundial.
Para o setor de pescados, o sócio da Compex, Paulo Gonçalves, afirma que o "tarifaço" atingiu fortemente o segmento, forçando a redução de preços para fornecedores e gerando resistência de clientes.
Ele ressalta a importância do plano de socorro estadual no Ceará para a manutenção dos negócios, pois sem ele a produção seria reduzida pela metade.
A expectativa é de prorrogação desse apoio enquanto se aguarda um acordo bilateral.
O setor emprega mais de 100 mil pessoas diretamente.
Entre agosto e outubro de 2025, as exportações nacionais de pescado para os EUA somaram US$ 30,2 milhões, uma queda de mais de 30% em relação ao ano anterior. No acumulado de janeiro a outubro, houve um crescimento de 10,3%, com o valor exportado passando de US$ 312,8 milhões para US$ 345,2 milhões.
Gonçalves explica que a queda no faturamento se deve aos descontos concedidos para manter os clientes americanos.
A abertura de novos mercados é mais complexa para peixes costeiros do que para lagostas, devido à maior disponibilidade global desses produtos.
últimas





