Um estudo internacional liderado pelo Trinity College Dublin, publicado na Science em 4 de dezembro de 2025, revela que o aumento da diversidade de plantas em pastagens agrícolas aumenta significativamente os rendimentos, ao mesmo tempo que reduz a necessidade de fertilizante nitrogenado.
A pesquisa, realizada em 26 locais internacionais diversos, indica que esses benefícios são ainda mais amplificados em temperaturas mais quentes, sugerindo um forte potencial para adaptação climática na agricultura.
O estudo examinou a eficácia de misturas multiespécies, tipicamente compostas por até duas gramíneas, duas leguminosas e duas ervas, em comparação com práticas convencionais como espécies de gramíneas em monocultura com altas entradas de nitrogênio e combinações de gramíneas e leguminosas de duas espécies com menores entradas de nitrogênio.
Os resultados demonstram que essas misturas diversas alcançam rendimentos mais altos através de interações sinérgicas entre diferentes tipos de plantas.
Especificamente, misturas multiespécies de seis espécies produziram uma média de 12,3 toneladas por hectare por estação de crescimento.
Isso representa um aumento de 11% no rendimento em comparação com monoculturas de gramíneas, que usaram mais do dobro da quantidade de fertilizante nitrogenado, e um aumento de 18% em comparação com as combinações de gramíneas e leguminosas de duas espécies.
Esse desempenho confirma a superioridade das misturas multiespécies sobre as práticas agrícolas convencionais amplamente utilizadas.
A Professora Caroline Brophy, do Trinity College Dublin, destacou a necessidade urgente de pastagens agrícolas mais sustentáveis que mantenham ou melhorem o desempenho e se adaptem às mudanças climáticas.
Ela afirmou que a transição para misturas multiespécies oferece um cenário "ganha-ganha-ganha", promovendo a produção de forragem ambientalmente sustentável, aprimorando os rendimentos e melhorando a resiliência climática.
A ampla disseminação geográfica e climática dos 26 locais experimentais na Europa, América do Norte, China e Nova Zelândia fortalece a generalidade e o poder estatístico desses resultados.
O coautor Dr. John Finn, da Teagasc, enfatizou que a pesquisa mostra conclusivamente que misturas multiespécies de seis espécies superam tanto as monoculturas de gramíneas com alto teor de nitrogênio quanto as combinações de gramíneas perenes e trevo branco em diversas condições.
O estudo fornece aos agricultores conhecimento prático para projetar pastagens temporárias e pastagens de longo prazo, demonstrando que as misturas multiespécies entregam maior rendimento com menor dependência de fertilizantes nitrogenados.
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