Da Redação Olhar Informação
Relação Bilateral em Xeque: Brasil e Irã possuem troca comercial estratégica de grãos e fertilizantes, mas guerra dispara custos e ameaça abastecimento da safra de verão
A escalada das tensões no Oriente Médio, envolvendo grandes produtores de petróleo e insumos, atravessou o oceano e atingiu em cheio o coração do agronegócio gaúcho. Neste domingo (8), a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) emitiu um alerta grave: a falta de entrega de diesel está interrompendo a colheita da safra de verão, especialmente de soja e arroz, em diversas regiões do estado.
O bloqueio logístico e a disparada nos preços internacionais do petróleo — que já acumula alta de 37% no ano devido ao conflito — criaram um "nó" nas distribuidoras e refinarias. Para o produtor rural, o cenário é de incerteza, com máquinas paradas no momento em que o clima exige agilidade para retirar o grão do campo.
O Elo Estratégico com o Irã
Embora o conflito pareça distante, a relação comercial entre o Brasil e o Irã é de extrema relevância para o equilíbrio do nosso balanço comercial. O Irã é um dos maiores compradores de milho brasileiro, absorvendo aproximadamente 20% de toda a nossa exportação (cerca de 9 milhões de toneladas anuais). Além do milho, o país persa é um destino considerável para a soja e o farelo de soja produzidos em solo nacional.
Por outro lado, o Brasil é um grande importador de produtos iranianos essenciais para a nossa produtividade. Cerca de 79% de tudo o que importamos do Irã são fertilizantes e adubos, com destaque absoluto para a ureia. O país é o maior produtor global desse insumo, e o agronegócio brasileiro depende desse fornecimento para garantir a competitividade das próximas safras.
Riscos e Medidas de Emergência
Com a instabilidade no Estreito de Ormuz — por onde passa boa parte do comércio global de energia e insumos — o risco de desabastecimento de fertilizantes nitrogenados e a continuidade da alta do diesel colocam o setor em alerta máximo. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já solicitou ao Governo Federal o aumento imediato da mistura de biodiesel no diesel (de 15% para 17%) como medida para mitigar a dependência do óleo importado e frear a escalada de preços nos postos.
No Rio Grande do Sul, a Farsul busca junto ao Ministério de Minas e Energia uma solução para normalizar a distribuição de combustível, evitando que o atraso na colheita exponha as lavouras a perdas climáticas irreparáveis.
Olhar Informação: A crise no Oriente Médio prova que o agronegócio não tem fronteiras; o que acontece em Teerã reflete diretamente no tanque do trator em Passo Fundo, exigindo uma diplomacia comercial cada vez mais ágil e estratégica.
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