A instalação de indústrias de biocombustíveis em Mato Grosso e o aumento na disponibilidade de “comida barata” para o gado, como os coprodutos do processamento de soja e milho, têm possibilitado um “novo ciclo” de confinamento de animais, de acordo com a Associação dos Criadores do Estado (Acrimat).
Agricultores ao longo da BR-163 passaram a criar pequenos rebanhos, de 200 a 300 cabeças, alimentados com o DDG (grãos secos de destilaria) das indústrias de etanol de milho e farelo de soja das fábricas de biodiesel, em áreas de 10 a 20 hectares nas fazendas dominadas pelo cultivos de grãos. Essa atividade extra ajuda a gerar mais renda, completar escalas em abatedouros e manter a oferta de gado.
Segundo Oswaldo Ribeiro Júnior, presidente da Acrimat, não houve escassez de animais no último trimestre do ano, e os preços da arroba se estabilizaram e até recuaram. A média de preço no estado está em torno de R$ 320 por arroba. O boi-China, animal abatido com até 30 meses de idade, recebe R$ 5 a mais por arroba.
Quase 1 milhão de cabeças de gado foram confinadas no último trimestre em Mato Grosso, segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), um aumento de 67% em comparação com o mesmo período de 2023 (555,1 mil cabeças).
A Acrimat está otimista em relação ao setor, citando a manutenção das vendas para China e EUA, a consolidação do mercado do Chile, as expansões para o México e o retorno da Rússia, além do avanço em mercados do sudeste asiático. Há uma preocupação com a virada do ciclo, com potencial escassez de bezerros e preços próximos de R$ 4 mil.
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