Apesar das ondas de calor e chuvas irregulares, primeiras áreas colhidas — especialmente as irrigadas — indicam uma safra robusta; Conab projeta novo recorde nacional.
O início da colheita da soja na safra 2025/26 no Brasil traz um alento ao setor produtivo. Mesmo enfrentando um ciclo marcado por extremos climáticos, os primeiros resultados vindos do campo mostram um cenário mais positivo do que as previsões mais pessimistas sugeriam. O destaque inicial vai para Mato Grosso, o gigante da produção nacional, onde as máquinas já começaram a roncar com rendimentos satisfatórios.
O Triunfo da Irrigação
As primeiras lavouras a serem colhidas são as de pivô central. Nessas áreas, o manejo hídrico foi o diferencial para mitigar o estresse térmico causado pelas altas temperaturas. Relatos de municípios como Sorriso e Água Boa confirmam grãos com boa qualidade e peso, servindo como um "termômetro" positivo para o que vem pela frente.
De acordo com a consultoria AgRural, embora os dados iniciais sejam animadores, a maior parte da produtividade brasileira ainda está "em aberto". O desempenho final das lavouras de sequeiro (sem irrigação) dependerá crucialmente do comportamento do clima durante os meses de janeiro, fevereiro e a primeira metade de março.
Projeção de Recorde no Horizonte
Os números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reforçam o otimismo. A estimativa atual é de que a safra brasileira atinja 177,1 milhões de toneladas, um crescimento de 3,3% em relação ao ciclo anterior. Se confirmada, a marca consolidará o Brasil ainda mais na liderança global da oleaginosa.
Clima: O Fator de Risco Permanente
Apesar do bom começo, o produtor não pode baixar a guarda. O calor intenso persiste em boa parte do país e a distribuição das chuvas continua desigual.
Região Sul: Deve concentrar os maiores volumes de chuva nos próximos dez dias.
Centro-Oeste e Sudeste: Previsão de pancadas isoladas, o que exige atenção redobrada para as lavouras que estão agora na fase crítica de enchimento de grãos.
Além da Lavoura
Para o produtor, o desafio agora é equilibrar a operação de colheita com a gestão financeira. Além do clima, o mercado está de olho nos custos de produção e nos gargalos logísticos, fatores que definirão a rentabilidade real após o fechamento dos armazéns.
Se as condições climáticas colaborarem nos próximos meses, o Brasil caminha a passos largos para confirmar mais um ciclo de produção histórica, garantindo o abastecimento interno e a força das exportações.
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