Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, defende a criação de mecanismos para formar um "colchão de liquidez" no setor agropecuário. Essa reserva, alimentada pelos lucros de "anos de bonança", seria destinada a suportar as crises cíclicas enfrentadas no campo, como eventos climáticos extremos e flutuações nos preços das commodities, quando a situação se inverter.
Bittencourt criticou as decisões financeiras tomadas por parte dos produtores durante os períodos de alta das commodities. Ele apontou que muitas dívidas atuais em instituições financeiras, incluindo o BB, resultam de alavancagem excessiva, arrendamentos caros e aquisição de máquinas e equipamentos a preços inflacionados, baseadas na expectativa de que os preços elevados e juros baixos se manteriam indefinidamente.
O vice-presidente destacou que o problema da inadimplência é mais acentuado entre produtores arrendatários, cujos custos de crédito são mais elevados, resultando em taxas de inadimplência quase o dobro das observadas em produtores proprietários de terra. Recentemente, o Banco Central alertou que arrendatários que financiam 100% do custo operacional podem ter prejuízos nesta safra.
A inadimplência, embora não generalizada, afeta grandes produtores em regiões como o Centro-Oeste e o Matopiba, gerando um impacto econômico significativo para as instituições financeiras. Bittencourt ressaltou que nem mesmo o seguro rural, seja de preço ou climático, é uma solução completa para esses problemas, que estão intrinsecamente ligados ao fluxo de caixa.
Do ponto de vista das instituições financeiras, Bittencourt sugere uma reavaliação no tratamento das prorrogações de dívidas. Ele propõe uma análise mais precisa do impacto real das frustrações de safra ou preço no fluxo de caixa do produtor, a fim de dosar o alongamento das parcelas e evitar que medidas de ajuda agravem o endividamento, como a criação de uma "bola de neve" de dívidas.
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